A quarta temporada, que adapta o livro Amanhã Será Outro Dia (“Gone Tomorrow) de Lee Child, repete o movimento anterior. Enquanto as duas primeiras temporadas apresentaram várias histórias que, necessariamente, não precisariam se conectar no final, a terceira temporada colocou o investigador veterano ex-militar numa narrativa uniforme. Dado o grande sucesso, a quarta temporada repetiu a dose, fazendo com que tenhamos uma dupla repetição: duas temporadas que se identificam quanto ao estilo narrativo. Na nova jornada, entra em cena o famoso Pentágono, com uma história mais sombria e misteriosa.
Com Alan Ritchson de volta à ação, novo ano abandona os rostos conhecidos, inclusive o de Maria Sten, que ganhou seu spin-off como a Detetive Particular Frances Neagley. O distanciamento de seu personagem representa a ausência da única pessoa que possui um vínculo com Reacher. Mas, conhecemos novos rostos: Sydelle Noel é a detetive Tamara Green; Christopher Rodriguez é o policial Jacob Merrick; as vilãs são interpretadas por Agnez Mo e Anggun. Ainda temos Kevin Corrigan; Kevin Weisman; Marc Blucas e Kathleen Robertson.
Diferente do ano anterior, Reacher parece “tropeçar” em questões pouco convincentes no novo desafio. Tudo começa com um homicídio dentro do vagão de um metrô que deixa a consciência do personagem pesada e com sentimento de culpa. Ao tentar se resolver diante de um crime injusto, Reacher percebe que há muito mais coisa por trás de um simples homicídio. As vilãs tentam nos enganar através de um plot twist que causa pouco impacto e perde força narrativa, mas, mesmo assim, as boas cenas de luta, explosões e a ação continuam em alto nível.
A nova detetive, Tamara, inserida na narrativa, carrega um peso pessoal que a série busca não deixar de escanteio e liberta a personagem de suas questões, entregando a ela um papel digno de sua atuação. Sydelle Noel é muito boa diante das telas e queremos ver muito mais de sua personagem em temporadas futuras, caso elas venham. E contrapartida temos o policial Jacob, que tenta lidar com o luto de sua irmã e de seu sobrinho, vítimas da ação cruel de duas mulheres estrangeiras em busca de vingança. O teor político nesta temporada também ganha uma representação um pouco mais forçada que nas anteriores, mas, o equilíbrio é justo quando se percebe que ainda há políticos honestos no mundo.
Por mais que Alan Ritchson seja o grande nome, percebemos que a série tenta buscar caminhos para que tudo não aconteça sobre seus ombros e que seus protagonistas também possam resolver suas questões e seguir firmes suas narrativas individuais, ao mesmo tempo que a história central vá se desenvolvendo. A temporada sofre um pouco com o grande número de personagens, contudo, a presença de cada um deles e justificável quando eles encontram o próprio caminho e nos entregam um bom desfecho. Que venha em bom tom um quinto ano ainda mais surpreendente e divertido.
Por Dione Afonso, jornalista.