20 Sep
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Entre os tantos personagens na série Reacher, logicamente que Frances Neagley foi a melhor escolha para desenvolver seu próprio caminho. A primeira temporada de Neagley: Detetive Particular, é excelente e dispensa apresentações. Sem gastar tempo com narrativa introdutória, a investigação da detetive já embala em questões pessoais até abarcar grandes situações perigosas e letais. Uma mulher ex-militar, melhor amiga de Jack Reacher trabalha por conta própria e se depara com inúmeras situações que envolvem corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes de grande escala. Mesmo a série mantendo a identidade e a força da matriz original, a narrativa desenvolve a sua própria história e se afasta com dilemas originais e ambientes próprios. 

Maria Sten reprisa seu papel de Frances Neagley. E o elenco apresenta um bom time: Greyston Holt é o detetive Hudson Riley; Jasper Jones é o jovem Keno e Adeline Rudolph está excelente como a parceira de trabalho Renee Birdwhistle. O quarteto tenta superar suas diferenças e questões pessoais e acabam se aproximando, trabalhando juntos, desvendando as questões que envolvem o homicídio de um amigo próximo de Neagley. A série acerta em cheio no seu time de vilões nessa primeira temporada: Damon Herriman, como o sujo Lawrence Cole, que comanda uma fazendo ancorada numa seita estranha; Rebecca Liddiard, como Judith, cúmplice de Cole e Matthew Del Negro, que dá vida a Pierce Woodrow, o homem da grana, que financia uma rede farmacêutica e usa dos candidatos da fazenda para os experimentos perigosos e mortais. 


Isso é pessoal! 

É muito positivo o fato de a série não perder tempo com notas introdutórias ou narrativas explicativas e já inserir o telespectador no objetivo central da trama. Tudo começa com um jovem perturbado, que parece meio drogado, caminhando nu, em direção a um trem até se chocar com a locomotiva. Não demora muito e já temos Frances Neagley em ação tentando prender algum criminoso. Tommy Crane (Jhaleil Swaby), o jovem que tirou sua vida, era um grande amigo de Neagley e a notícia da morte dele despertou na detetive algumas questões que para ela não estavam bem resolvidas. Com a investigação da polícia dado como concluída, a detetive e amiga não se contenta com os resultados e decide investigar um pouco mais. 

Nessa investigação, encontramos duas personagens: primeiro o detetive Riley, um homem esperto, justo, honesto e que se encanta por Neagley, apesar de ela ser uma mulher reservada e com questões íntimas e pessoais mal resolvidas. Inclusive, a série está de parabéns quando decide tocar nesse tema. É algo delicado, pessoal demais e de difícil diálogo. Neagley vive um trauma do passado que até então nunca foi resolvido e isso envolve muito mais elementos que a sua simples limitação física. Primeiro tem a relação com o pai, um misto de respeito e de conversas travadas, mas, que a série abordou o tema com cuidado e inteligência. Quando Riley se aproxima de Neagley e decide apoiá-la em sua investigação, o personagem começa a desempenhar um papel de amigo, parceiro, confidente e alguém que no futuro de Neagley, ela poderá confiar. 

A outra personagem, é Judith (Liddiard), que, estando do outro lado da investigação, ela se torna a porta de entrada para um antro de lavagem cerebral, uma seita horrorosa, com princípios nada humanos, e, que depois, descobre-se ser fachada para um projeto secreto que usa de cobaias humanas. Frances Neagley e Jack Reacher agora são duas potências que funcionam independentes, ao mesmo tempo que podem funcionar juntos sempre que precisar. Temos bons crimes, uma dose de conspiração, boas cens de luta e de ação muito bem coreografadas. Há perigos reais e uma ameaça que nos convence. A personalidade de Neagley é algo que não passa despercebido, e para que a série não ficasse pesada ou sombria demais, o elenco principal trouxe harmonia e até um pouco de humor. 


Identidade própria 

Dizer que Neagley é a versão feminina de Reacher é rebaixar o trabalho que o spin-off está construindo. E é uma ofensa ao trabalho de Maria Stein. Ela é uma atriz excelente, tem presença, força de atuação e física. Só nessa primeira temporada ela deu um passo para superar o trauma; descobre um passado que envolveu um homem pedófilo e que o pai dela a protegeu; perde o pai para o câncer; faz amigos e conquista o seu próprio escritório de investigações particulares e com uma equipe ao lado dela. Gostamos do alívio cômico que o jovem Keno nos ofereceu, e o melhor, sem precisar. E a série poderá explorar muito um ator mais jovem como Jones, no decorrer de futuras temporadas em que ele poderá crescer tanto no personagem como na atuação. 

Greyston Holt, Jasper Jones e Adeline Rudolph é um excelente grupo de apoio para Maria Sten, dentro e fora das telas. Seus personagens encontram o equilíbrio perfeito, pois cada um possui uma funcionalidade muito clara dentro da série: Neagley é turrona, muito inteligente e possui aquele espírito egoísta e mandona de trabalhar sempre sozinha; Riley é aquele policial que deixa a balança equilibrada, sempre de olho na lei e sempre querendo fazer o que é correto, aliás, Reacher já dizia que ele é dos bate primeiro e depois pergunta, e, Neagley não é muito diferente disso; Renee é a mulher bonita do time, a secretária, a que dá suporte e Keno é alguém que apareceu do nada, o mais jovem do time e que acaba se tornando um bom amigo.




Por Dione Afonso, jornalista.

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