Há tempos que nós, amantes fiéis do cinema, temos buscado por algo que seja, de fato, inovador. Há uma sede insaciável e que se torna cada vez mais impossível de saciar que é a de encontra a fonte da juventude da Sétima Arte: originalidade. Por outro lado, aqueles mais eruditos na arte da crítica escrita, conseguem defender que originalidade não significa apresentar algo de novo ou inovador, mas a de se manter imaculado diante de tantas propostas que beiram ao simples desejo consumista ou ainda da máquina esmagadora hollywoodiana em produzir e produzir e produzir com o parco objetivo de vender, vender e vender.
Pelas mãos do cineasta Joe Carnahan, Dinheiro Suspeito reúne o tímido Matt Damon e o versátil Ben Affleck numa ação que mistura suspense, traição, corrupção policial e muito, muito dinheiro. A dupla ainda conta com as atuações de Sacha Calle; Teyana Taylor; Steven Yeun; Catalina Sandino Moreno e Scott Adkins. E a trama ganha força motriz quando uma Capitã de Polícia é assassinada misteriosamente. Antes de sua morte ela consegue enviar uma mensagem de texto para o celular do Tenente Dane (Damon) o que desencadeia uma narrativa que precisa pautar na confiança e na coragem frente a um esquema bilionário.
Por mais que o filme consiga se desvencilhar dos clássicos clichês de um filme de ação policial, não adianta dar play em busca de novidades, pois Carnahan não teve este interesse. O filme é divertido. A trama funciona. As cenas são bem editadas e o roteiro é perfeito. Tudo dá cadência a uma boa história que pode ser experimentada no conforto do seu sofá junto com toda a família. O Tenente Dane, que ocupa o cargo de seu melhor amigo o Detetive JD Byrne (Affleck) precisa comandar uma operação arriscada e que assassinou uma grande amiga da polícia. Quando Dane decide dar continuidade à operação, ele precisa lidar com as chances de haver entre o grupo um traidor.
JD Byrne e Dane são grandes amigos, aquela amizade inabalável e o roteiro aproveita isso muito bem. Uma amizade fora das telas entre Affleck e Damon que transcende nas atuações de ambos os atores, enriquecendo ainda mais e dando credibilidade à história. O time de policiais que seguem o tenente e o detetive são Mike (Yeun); Numa (Taylor) e Lolo (Moreno). Juntos, os cinco descobrem um esconderijo numa casa que guarda bilhões de dólares que possivelmente estava ligado ao assassinato da colega de trabalho. Quando Dane percebe a emboscada em que havia acabado de cair, ele toma decisões complicadas, deixando as relações difíceis entre o grupo, até mesmo com o melhor amigo JD.
Estamos diante de uma história simples, curta, direta, mas muito eficaz. O filme vale a nossa atenção. O esquadrão dos cinco policiais encontra mais de 20 milhões de dólares numa casa que aparentemente estava abandonada. A lei defende que em toda operação que envolve dinheiro, ele precisa ser contado no local da apreensão. Nisto temos o segundo ato do filme consolidado, em que tensões e a revelação do x-9 que havia entre os cinco ser revelado. Damon é o responsável pelo plot twist que entrega o desfecho da história, e é muito bem feito. “Será que somos os heróis?” As duas tatuagens nas duas mãos do Tenente Dane funcionam perfeitamente como um suporte emocional que o humaniza na profissão que ocupa. “Nós Somos E Sempre Seremos”! Assim como o fato do roteiro revelar que Lolo tem duas filhas e que ela gostaria de ter ligado pra desejar a elas, “boa noite”.
Por Dione Afonso | Jornalista