26 Oct
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Talvez, ao lado do Ghostface da franquia Pânico e de Michael Myers de Halloween, o personagem Jason Voorhees é um dos mais icônicos destas grandes sequências de sucesso. Os três, pode-se dizer, fazem parte da “trindade do terror” que mais nos assusta e que mais admiramos em grandes histórias de sucesso do cinema. Ainda temos outras figuras que vem conquistando espaço, como o palhaço IT da história original de Stephen King e Art, o palhaço da franquia Terrifier. Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo, um assassino em série de crianças, e o personagem de Jogos Mortais, Jigsaw. Criado pela dupla James Wan e Leigh Whannell, a franquia o apresenta como um serial killer de aspecto mais marcante ao proporcionar opções às vítimas, para que elas possam escolher entre a vida e a morte. Nos filmes, isto faz com que os participantes de seus jogos valorizassem a vida que têm. 

A série de TV “Crystal Lake” é a primeira extensão do universo de Sexta-Feira 13, e narra a jornada de criação do personagem-vilão dos filmes: Jason Voorhees. Criada por Victor Miller, a história tem como ponto de partida um garoto que se afoga num acampamento de verão “Camp Crystal Lake” devido a negligências dos monitores adultos. A série é um prelúdio desta história e vai trazer detalhes de como Jason, o garoto, torna-se um dos ícones entre as franquias de terror. No elenco, Linda Cardellini é Pamela Voorhees, a mãe de Jason. Também contamos com Callum Vinson, Gwendolyn Sundstrom, Will Catlett, Devin Kessler, Joy Soprano e Hamish Linklater. Quem assina a produção é Brad Kane. 


Ótima releitura de “Sexta-Feira 13” 

Por mais que a série funcione de maneira isolada, para aqueles que conhecem a franquia provavelmente terão mais elementos para identificar ganchos relevantes para a história. O acampamento de verão “Crystal Lake” não é algo novo, pois é o local de onde saem as histórias macabras e assustadores de um garoto que se afogou e que depois retorna assombrando o lugar. É importante notar na perfeita interpretação de Cardellini a profundidade que ela dá à personagem e todo o contexto que ronda a “criação” de Jason. Fruto de um experimento científico e cruel, Jason Voorhess é resultado a ambição científica de homens poderosos que decidem intervir na biologia natural humana ao tentar gerar pessoas que pudessem sobreviver a radiações. Na gestação Pamela é submetida, sem ter conhecimento, a procedimentos nas quais o feto era exposto a elementos químicos. 

Tudo na série nos remete à Sexta-Feira 13. Desde a trilha sonora até a direção de arte que nos remete a um tempo em que as produções ainda não contavam com avançadas tecnologias que, de certa forma, tiram a criatividade. E isso é muito bom, pois consegue conquistar os fãs da franquia ao mesmo tempo que apresenta ótima releitura a um novo público. Cardellini, em sua atuação, apresenta uma personagem que tenta lidar com o luto e traz uma Pamela que se deteriora psicologicamente quando não encontra saídas para seguir sua vida. Ela até se aproxima do delegado local, Levon Brooks (Catlett), que também perdeu a esposa muito cedo e que vive ainda o luto. Dois adultos, solitários tentando encontrar caminhos para seguirem suas vidas. A série sabe lidar com estas questões sem perder o ritmo ao narrar a história de origem de Jason Voorhees. 

O estilo gore dos filmes de terror é muito bem-vindo aqui. Prepare-se para ver muito sangue, muitas mortes, bem no estilo dos longas de toda a franquia. Pamela Voorhees é dramática na mesma intensidade em que é perigosa, assustadora e destemida. Quando se vê ameaçada pelo passado que a reencontra, ela elimina o perigo de uma maneira brutal. Quando decide defender uma jovem, também não economiza na maldade ao atear fogo numa lanchonete. Também não faz meias medidas ao atacar um grupo hippie no acampamento quando percebe que eles podem ser um tipo de ameaça a ela. Talvez a série ganharia mais pontos positivos se ela desse mais credibilidade aos bons coadjuvantes que ela possui. Uma possível amiga de Pamela, que se aventura com os homens que lhe aparece merecia uns minutos a mais de tela para mostrar seu talento. 


A mitologia ganha vida 

Por fim, a série de TV faz o que nós alimentávamos há décadas sobre o que, de fato aconteceu no passado da família Voorhees. Podemos estabelecer que o vilão desta temporada é o famigerado pai de Jason, Elias Wittering (Linklater) que mergulhado na ambição e na ganância de uma empresa bioquímica submete o próprio filho a um projeto como o Argonauta que testa em fetos produtos químicos que deformam o ser humano. Tudo isso para gerar um ser que fosse capaz de sobreviver a uma bomba atômica. Salvo pela mãe, Jason é resgatado deste antro de ambição e juntos constroem uma vida escondidos e longe de tudo e todos. Com o acidente envolvendo Jason Voorhees no acampamento Crystal Lake, a identidade deles é exposta pela mídia e o passado retorna. 

Por fim, é uma boa temporada e uma ótima história de origem que respeita a franquia e inova na narrativa. Vale a pena conferir os oito episódios que acompanham a personagem de Linda Cardellini ao tentar descobrir o que seu filho se tornou. Para os fãs de Sexta-Feira 13, vocês não irão se arrepender ao dar play neste novo capítulo. Inclusive, vocês terão cenas que são muito melhores que todos os filmes da franquia. Com boas atuações e ótima direção de cena e diálogo. Ainda sem confirmação de uma segunda temporada, Jason Voorhees é resultado de um experimento cruel que o transfigurou e o fez se tornar algo invencível que foge às capacidades e limitações humanas.





Por Dione Afonso, jornalista.

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