18 May
18May

O roteirista e produtor de TV espanhol Alex Pina conquistou nossos corações com sua grandiosa La Casa De Papel, reunindo um time de pessoas improváveis para realizarem o maior roubo da história. Foram 5 longas temporadas sendo guiadas com muito suspense, cenas, drama inigualável, e, claro, muito, mas muito dinheiro. O sucesso da série rendeu seu primeiro derivado e o spin-off Berlimfocado no personagem de Pedro Alonso, chegou em sua segunda temporada. Em Berlim e a Dama com Arminho, a equipe é desafiada por um magnata que curte se exibir e desdenhar do resto da humanidade. Ao tentar mostrar seu poder e arrogância a Berlim, ele não imaginava os desdobramentos infelizes que este encontro o proporcionaria. 

Ao lado de Alonso, como Berlim, a série traz de volta o time original: Julio Pena; Michelle Jenner; Tristan Ulloa; Joel Sanchez e Begona Vargas. A nova temporada insere a personagem Candela, vivida por Inma Cuesta e traz uma participação especial do Professor, personagem de Álvaro Morte na série original. O novo ano deste derivado foge bastante da originalidade do que La Casa De Papel representa. Os grandes roubos saem de cena e dão lugar a algo mais pessoal e a dramas mais profundos que atingem as relações internas de cada membro da equipe. 


Dos grandes roubos ao inimigo pessoal 

Para quem estava aguardando mais um grande feito arquitetado por um plano estratégico gigantesco, poderá se aborrecer ao assistir a segunda temporada. O novo caso parte de uma proposta de negócio que o grupo enxerga como uma afronta à arte do roubo. O time de ladrões se vê ameaçado por um magnata poderoso, chamado Álvaro Hermoso que é interpretado por José Luis Garcia-Pérez. O ator tenta nos entregar um vilão carismático, mas, infelizmente a sua atuação resulta num personagem performático, insuportável, por vezes infantil e sem graça. Esquece os grandes centros ricos e que guardam muito dinheiro e itens de grande valor. Agora, estamos diante de um único homem que detém tudo o que há de mais valor: as obras originais de grandes pintores do Renascimento: Michelangelo, Monet, Rembrandt, Rafael Sanzio, da Vinci, Caravaggio entre outros... 

Como uma narrativa secundária, acompanhamos os dilemas entre Roy (Pena) e Cameron (Vargas), que colocam o relacionamento numa crise de valor e de sentimentos. O destino que a série traça para Cameron é um pouco injusto, mas que faz certo sentido dentro da história. Outro dilema surge entre Keila (Jenner) e Bruce (Sanchez), casados há algum tempo, o casal se vê numa indecisão entre, seguir o matrimônio fiel ou se deixar levar pelas aventuras desiderativas que a vida oferta. Já o relacionamento entre Berlim e Damian (Ulloa), que se trata de uma amizade verdadeira, mas um pouco exaustiva també sofre os tremores da fidelidade. 

Entre concentrar-se nos relacionamentos em crise e na exploração do novo roubo que o time está para aceitar a realizar, o roteiro se perde ao não saber onde concentrar suas maiores forças. Infelizmente os dilemas pessoas do grupo não nos impactam a ponto de nos importar com o que acontece com cada um. Toda a jornada que foi imposta a Cameron, em sua infiltração no navio se perde e perde todo o seu significado no ato final. Faltou também clareza no desfecho quando o grupo encerra o seu plano, mas não revela como que tudo aconteceu até cada obra de arte retornar para o seu museu de direito. Por fim, Berlim e a Dama com Arminho, cumpre com seu papel na aula sobre a arte, mas deixa a desejar numa narrativa impactante tal qual La Casa de Papel nos sugere.





Por Dione Afonso  |  jornalista

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