03 Jan
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A franquia Anaconda [1997 – 2015] foi estrelada por Jennifer Lopez, Ice Cube e Jon Voight. O longa de 1997 foi estraçalhado pela crítica, na época e foi considerado um filme B “de monstro brega”. Misturando terror com a aventura e o suspense, o longa é ambientado na floresta amazônica e acompanha um grupo de documentaristas que estavam à procura de uma tribo indígena quase em extinção. Entre uma ação e outra, o grupo foi atacado por uma cobra gigante que mata algumas pessoas e continua a perseguir quem insiste em sobreviver na vasta floresta. EM 2004, a sequência ganhou o título: Anaconda 2: A Caçada pela Orquídea Sangrenta. Com um elenco totalmente diferente do primeiro filme, a cobra gigante ataca um grupo de cientistas em busca de um soro da juventude na selva de Borneo, na Ásia. Já Anaconda 3 nos prende num laboratório, na Europa, com 2 cobras gigantes em experimento científico... bom, você já deve imaginar o que acontece. Em 2009, Anaconda 4: Rastro de Sangue, nos leva para as montanhas da Romênia onde um cientista modifica geneticamente uma cobra em busca da cura para o câncer. Pânico no Lago: Projeto Anaconda é o quinto filme da franquia, mas ele ainda conseguiu ser mais esquecível que os anteriores. 

Se você tem idade o suficiente para se lembrar da era das locadoras, deve ter guardado na memória o quanto que a fita VHS do filme Anaconda era super disputado pela clientela. Ou seja, pode até ter sido um fracasso na crítica e na bilheteria, mas o filme era sucesso nas casas e nas locações. Substituindo o elemento do terror e do suspense pela comédia e com alguns sustos bem convincentes, o cineasta norte-americano Tom Gormican resolve apresentar uma releitura desse clássico do final dos anos 1990. E num é que a proposta até funciona? O novo filme não deixa de ser parte inferior das produções, contudo, a metalinguagem e o sarcasmo com a própria narrativa funcionam e fluem naturalmente. No elenco temos o maravilhoso Selton Mello, brasileiro ao lado de Jack Black; Paul Rudd; Daniela Melchior; Thandiwe Newton e de Steve Zahn. Juntos, eles decidem adentrar a floresta amazônica para filmar uma reboot da franquia Anaconda, ou, como afirma Doug (Black), uma releitura, só que desta vez, usando o monstro como uma metáfora das nossas vidas. 


O poder do convencimento 

Acreditem se quiser, Doug McCallister (Black) faz o papel de um cineasta muito bom e inteligente. O roteiro e os diálogos que colocam na boca deste personagem são muito convincentes. Quando ouvimos Doug propor qualquer coisa, por mais absurda que ela seja, nós não pesamos duas vezes em aceitar e ir junto com ele. Anaconda, é um filme que ninguém pediu, mas que quando chega a gente olha e fala: “nossa, num é que deu certo!?”. O subgênero do terror nem sempre é ruim. Contudo, não se engane, o novo filme não escapa do objetivo real da franquia: é o puro entretenimento. Ele não lhe dará nenhuma lição de moral, nenhuma mensagem ecológica e nada a favor da defesa da floresta amazônica. A única coisa que você vai encontrar, MAIS UMA VEZ, é a narrativa de um grupo de pessoas que decidem ir para a Amazônia e filmar um suspense em que uma cobra gigante ameaça a vida deles. 

O protagonismo de Jack Black e de Paul Rudd que interpreta Griffen, um ator de hollywood sem prestígio é o bastante para reviver em nós o sucesso, mais uma vez de Anaconda. Claro, hoje não temos mais as locadoras, elas foram substituídas pelo streaming e, dentro de alguns dias poderemos ver o sucesso do filme nas casas novamente. Mesmo que ele sofra mais uma vez com a derrocada da crítica e das bilheterias. Colocar Griffen como um mentiroso só para reunir seus amigos e faze-los acreditar que eles podem sair daquela vida de fracassados e voltar a sonhar novamente foi uma ideia muito boa. Ir para a Amazônia e escalar Selton Mello como um domador de cobras é ridículo e genial na mesma medida. Mello dá vida a Carlos Santiago e o carisma do ator, mesmo sobrevivendo apenas no primeiro ato do filme, é inesquecível. 

As mulheres Ana (Melchior) e Claire (Newton) são meio que esquecidas dentro da trama. Não vimos muita novidade nessas personagens femininas dentro da história. O que difere bastante do primeiro filme, de 1997. Com um segundo ato morno e um terceiro com alguns atropelos, a história ganha novo impulso quando o apelo nostálgico toma conta da tela e o longa coloca em cena o inesquecível Ice Cube, reprisando seu personagem: Danny Rich, já que o remake é uma piada muito bem-feita do primeiro filme. Isso é tão bom que Cube ainda cita o nome da “J.Lo”, referente à Jennifer Lopez. Essa referência é tão boa e tão bem feita que o público acaba se esquecendo das cenas ruins que encerram o filme. O filme está viralizando nas redes sociais e por bons motivos. Todos que dele fizeram parte, o fizeram por diversão e acabou fazendo com que nós nos divertimos também.




Por Dione Afonso  |  Jornalista

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