Freida McFadden se despontou nas vendas em 2025 tornando-se uma das escritoras que mais vendeu e uma das mais lidas. Norte-americana de 45 anos, formada em medicina pela Harvard, mantém sua identidade sob este pseudônimo afim de diferenciar suas profissões. McFadden lançou A Empregada em 2022 e, de imediato, seu livro desbancou os top leitores e se manteve no topo. O livro é um suspense psicológico e nos surpreende com as reviravoltas muito bem construídas e seus plot twists bem elaborados. A obra coloca no centro uma família perfeita demais com um marido bonito e muito atencioso, uma filha que carece de expressões felizes no rosto e uma esposa exageradamente loira, que esboça um sorriso forçado, mas sempre se mantém honesta e dona do lar.
Grande foi o sucesso literário que, pelas mãos do cineasta Paul Feig, o livro ganhou as telonas. Um espetáculo muito bem construído graças às atuações de Sydney Sweeney e Amanda Seyfried. Sweeney é a empregada Millie, que mantém um passado em segredo. Sobra pra Seyfried o papel da esposa Nina Winchester. Casada com Andrew Winchester (Brandon Sklenar). O elenco ainda conta com Michele Morrone que faz um papel secundário, mas que ganha credibilidade nos atos finais, como o jardineiro Enzo. Este quarteto nos apresenta um ambiente perfeito demais, bonito demais, tudo no lugar certo, até que...
Habita nas entrelinhas da obra A empregada, uma mensagem que zela pela proteção e a boa convivência familiar. Homens e mulheres que precisam buscar a harmonia humana numa convivência justa e igualitária. Tal mensagem traz, velada, o conceito da violência doméstica, claro que McFreida meio que espetaculariza isto, mas isso não é uma crítica, pois talvez este não tenha sido o seu real motivo para escrever esta história. Feig teve o amparo de uma roteirista mulher, Rebecca Sonnenshine, que se encarregou em transformar as páginas da escritora em fotografias vivas que pudessem ser o mais fiel possível nas telonas. Há quem diga que o trabalho de Sonnenshine tenha diminuído a força das páginas, e nós esperamos que isso seja verdade, pois, o filme nos deu vontade de conferir essa história mais de perto.
Sydney Sweeney, de 28 anos, jovem atriz duas vezes indicada ao Emmy, estrelou Euphoria e The White Lotus, teve uma rápida passagem pela Marvel e segue tirando o nosso fôlego. E que fôlego! É produtora e garante um futuro estrondoso pela frente. Os holofotes, não só os de Hollywood, mas de todo o mundo da dramaturgia e do cinema estão voltados para ela. Ao dar vida à empregada Millie, Sweeney “apimenta” a história e nos convence de que vale a pena parar para assistir. Rouba a cena e conduz a história a nosso bel prazer. Sua interação com Brandon Sklenar é a primeira virada de ato. Millie descobre a “prisão” em que se meteu e Sweeney encontra uma porta aberta para mostrar seu valor na atuação, algo que nem precisa, pois seus papeis na TV são excepcionais.
Já Amanda Seyfried, mais conhecida entre nós, não fica para trás. Nina só se revela no ato final. A cena de sua liberdade, sozinha, dentro do carro, prestes a acelerar e nunca mais voltar é magistral. O primeiro ato do filme parece chato. Nina é uma personagem esquizofrênica e chata. Andrew é um marido perfeito, que tenta acolher as crises da esposa, enquanto a empregada é alguém perdido na narrativa. Seyfried meio que se ancora nos outros personagens. É a esposa doente, maluca e indefesa. O típico da mulher totalmente dependente e vulnerável. O evoluir da narrativa engrandece Nina e nos atos finais, dá a Seyfried o tempo de tela necessário para se justificar.
O primeiro elemento do filme que nos convence é a fotografia esplendorosa. Cenas do alto, cenas em plano aberto, cenas em sequência, planos detalhe dentro da casa. O quartinho da empregada muito bem enquadrado. John Schwartzman fez um ótimo trabalho. O filme é colorido. O figurino é na medida certa. A roupa branca que Sweeney veste é digna de tapete vermelho. Abrir 2026 com esta obra é um bom passo para o Novo Ano que se inicia diante de nós. As críticas estão um pouco divididas, mas, a maioria elogia o trabalho da adaptação em relação ao filme. A Empregada é um grande espetáculo. Um show que não dispensa nossos aplausos, ao mesmo tempo que nos ajuda a refletir sobre casos violentos dentro da própria casa.
Entenda: a violência doméstica não é o foco do filme. Não sabemos se é do livro, inclusive, o livro tem sequência, dois outros livros. No filme, a cena final também deixa brechas para uma sequência, e que poderá reafirmar ainda mais esta narrativa das mulheres vulneráveis. Mesmo com os tantos clichês que já conhecemos em filmes deste gênero, meio comédia, meio thriller, aqui, o roteiro funciona, graças às fortes reviravoltas inesperadas que a história dá.
Por Dione Afonso | Jornalista