19 Jan
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19 de janeiro de 2026 


Particularmente acho os times de futebol um empreendimento bastante organizado. Enquanto um time seleto está em campo correndo atrás da vitória, o outro grupo está nos bancos aguardando algum imprevisto para entrar em cena e seguir o plano. Estes dos bancos são apelidados de “time reserva”, contrapondo ao que está em campo, “time oficial”. Esta organização é agradável, uma proposta interessante. Mesmo tendo sido treinados para não errar e para lidar com imprevistos, há uma “reserva” que está ali, pronta para acudir quando o projeto estiver ameaçado. 

Seria muito bom se nós também tivéssemos uma reserva em nossa vida. Já pensou? Você, o ser humano oficial, que luta todos os dias, madruga para ir trabalhar, tira um tempo para estudar, concluir uma faculdade, chega em casa e se dedica à família... ter um outro você reserva! Nossa! Acredito que esta seria a solução de todos os nossos problemas. Viver sabendo que há uma reserva pronta, treinada e em prontidão para assumir nosso lugar quando tudo parecer desmoronar. 

Não custa nada sonhar, não é mesmo?! Contudo, muitos de nós andamos sempre na reserva. E desta vez, a expressão “reserva”, muda de contexto, de figura de linguagem e de sentido e significado. Refiro-me não à reserva do banco do time de futebol que aguarda a sua vez, como um “plano b” que aguarda a plaquinha da substituição. Esta “reserva” de que falamos é a que acende a lâmpada vermelha no painel. Aquele sinal de que suas táticas se esgotaram. Seus planos ocuparam todas as letras do alfabeto e você não encontra mais alternativas de salvação. 

Andar sempre com o ponteiro na reserva indica uma vida sem planejamento, sem sorte e sem futuro. Uma vida pautada nas reservas não é vida. Você sempre viverá se assustando com os boletos que caem no seu e-mail. As cobranças que despertam no seu celular e as centenas de mensagens do WhatsApp não lidas porque você não se organizou. Não se planejou. E não consegue tempo para eliminar aquele maldito sinalzinho no App de que ainda há mensagens não lidas. 

Viver na reserva é perder o controle da situação. Da relação. Perder o controle da própria vida e se entregar à manipulação socioemocional. Pessoas reservas não conseguem desfrutar dos prazeres da vida. Estas vivem sempre tensas, estressadas, desmotivadas, sem saber do que será o amanhã, e, pior, não sabe como aproveitar as horas seguintes. Não podemos cair nas tentações das reservas, nem do time de futebol e nem dos ponteiros dos veículos. 

Sonhar com um time reserva é querer dar conta de algo que talvez não seja função sua. Um trabalho que está demais pra você, ou uma rotina que está demasiada exaustiva para as suas horas de labuta. Por outro lado, andar sempre na reserva, com o ponteiro sempre apontando para o vermelho é um sinal de alerta para uma rotina que precisa mais da sua atenção e do seu planejamento. Todo bom projeto de vida, seja pequeno ou um grande empreendimento, carece de organização, cronograma, planejamento, orçamentos e atenção. 

Cuidado com as reservas da vida. Parece que nenhuma dessas duas nos é favorável! 



Texto de: Dione Afonso, jornalista.


Foto: via Pinterest.

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