02 Nov
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02 de novembro de 2026 




O dicionário online dictionary.com acaba de divulgar a palavra do ano de 2006: MAXXING. Para se chegar a um vencedor, a plataforma analisa as tendências que viralizam tanto nas redes sociais como também avalia o comportamento literário dos indivíduos no decorrer do ano. Outra pesquisa também é feita no mecanismo de buscas dos portais da internet responsáveis em oferecer respostas e esclarecimentos. 

De uso eclético e possível ser encontrada em diversas áreas da vida, a expressão “maxxing” não se aproxima muito do uso da língua portuguesa e nem dos brasileiros, como é o caso de “parassocial”, para do ano de 2025, eleita pelo dicionário Cambridge. No caso de “maxxing”, o termo é nativo digital, ou seja, ele nasceu na internet, mais especificamente, no Reddit. Mas o que ela significa? 

“Maxxing” reflete a “busca por melhorar tudo”, desde a aparência até o descanso. No português ela se aproxima muito do termo “maximizar”. Fruto reflexivo direto das Gerações Z e Alpha, “maxxing” é a necessidade de intensificar tudo ao redor, desde as experiências desiderativas até algo mais comum e cotidiano como o trabalho e o lazer. Não se trata de não querer lidar ou conviver com o mínimo. Muito pelo contrário, o mínimo pode acontecer, desde que este mínimo seja experimentado com intensidade, maximizada. Tal experiência encontra suporte no conceito atual de que nada pode durar por muito tempo, mas, que, enquanto dure, que dure de forma “maxxing”. É o famoso “que seja eterno enquanto dure”. 

Hoje há um anseio em “maximizar” a aparência física; “maximizar” a qualidade do sono; “maximizar” a alimentação, em busca de dietas e proteínas; “maximizar” a experiência digital e aqui entra o uso intenso da IA... mas o que deu visibilidade mesmo ao termo foi o aumento da busca de pessoas que recorrem a tratamentos, receitas, mágicas e tudo o mais para melhorar a aparência física. “Maxxing” acaba virando prefixo, como, neste caso, “looksmaxxing”, popularizado pelas comunidades da machosfera, em que a masculinidade era o tema central. A partir disso a atratividade física exigiria um “maxxing” de atividades físicas, cuidados pessoais, procedimentos estéticos, tudo “maximizado”. 

A onda do “looksmaxxing” é perigosa e tem adoecido muitos jovens que não hesitam em atingir extremos em busca do rosto perfeito, da maquiagem perfeita, do corpo perfeito, da beleza perfeita. A metáfora que a Disney lançou em 1937, em que a Rainha Má insiste numa “looksmaxxing” é repetida hoje continuamente. Muitos de nós estamos em busca da beleza única: “Espelho, espelho meu, neste mundo há alguém mais belo do que eu?”. Disfarçada de rotina evolutiva, essa busca por evolução constrói uma sociedade adoecida por produtividade tóxica e até mortal. Maximizar revela uma rotina desenfreada que intensifica nosso trabalho cada vez mais, nosso cansaço incentivando mudanças de hábitos nada saudáveis e metas ambiciosas que podem nos levar a uma estafa trabalhista. 

Em síntese o termo se refere à prática de levar uma atividade ao extremo ou melhorar um determinado aspecto da vida. Não importa o quanto algo dure, ou quanto tempo uma experiência ficará ativa, o que importa é que os poucos segundos sejam vividos com intensidade, com o máximo de aproveitamento, maximizado. “Maxxing” é elevar ao máximo possível qualquer experiência da vida, da rotina de forma exagerada e sem limites. Não nos parece que isso se atrela, de certa forma a uma ideologia do extremismo? É como se do “maxxing”, nascesse o movimento extremista. 

O fato de querer resultados máximos pode não ser uma proposta muito adequada para nós. Quando o esforço ou a cobrança atingem extremos, quem adoece é a pessoa que é submetida a tal pressão maximizada. A geração que chega atualmente está embebida dessas experiências ao acreditar que “maxxing” é a regra de vida que vale a pena, pois se não for grande, intenso, maximizado, não serve. E não é bem assim. O mercado do entretenimento também sofre com essas ideologias quando propõe algo mais sereno, calmo, tranquilo e honesto. Fissurados no grande movimento maximizado e em explosões nas telas, uma experiência que insiste no pouco, mas com a promessa de entregar algo a mais não é atrativo para a Geração Alpha. Eles querem cada vez menos, porém, cada vez mais e mais MAXIMIZADOS, “MAXXING”!   






Texto de: Dione Afonso, jornalista.

Foto: Reprodução / Foto de Learn Anyhow / “Inner Reflection – Dan Bejar / via Pinterest.

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