28 Sep
28Sep
28 de setembro de 2026 




Aquela certeza de que existe uma luz no fim do túnel já não é mais tão concreta assim. Estamos imersos numa escuridão, pois apagou-se a luz. Vivemos à cata de migalhas de breves piscas-piscas que oferecem pequenas frestas de loucuras e adrenalinas que nos apetecem por uma noite, mas desaparecem no amanhecer. É assim que imagino um futuro sem a educação arquitetada por educadores, mestres do ensino, professores, grandes luzeiros do conhecimento. Estamos perdidos em meio à escuridão, pois, sem os professores para iluminar o nosso caminho, os pixels que fomentam a claridade das telas não são capazes de oferecer profundidade à alma e o que transmitem é tão raso quanto uma película de proteção. 

As análises sociológicas criaram até um termo para isso: “APAGÃO DE PROFESSORES!” O termo reflete uma preocupação com o futuro da docência. E o mais estranho é que isso nos soa um tanto quanto alarmista demais. Como imaginar um futuro tão próximo sem professores? Isso não soa como uma fake news? O fim dos professores? Que isso... não temo como. Contudo, o problema é real! O número de educadores mais novos está caindo. Estudantes abandonam a faculdade no meio da graduação, não enxergam um futuro próspero na profissão. O Brasil tem 4 vezes mais professores acima dos 60 anos. E, além disso, falta incentivo e motivação para entrar numa sala de aula, condições de trabalho e remuneração baixas e precárias, a profissionalização se tornando cada vez mais desafiadora. 

Os professores também estão enfrentando novos concorrentes: os youtubers que esquarteja o conhecimento, criam seus minicursos extorquindo o povo e ensinando aquilo que declaram ter aprendido por conta própria. Os autodidatas que nunca pisaram numa faculdade, esfacelam os diplomas que tantos de nós conquistamos com tanto suor e com algumas horas/aula afirmam inaugurar uma nova era do ensino. Os influenciadores digitais com suas lives abertas para um pequeno grupo de “amigos-parceiros”, que pagaram para tal, e, que são tratados com mais prioridade, reforçando a disparidade de classe, segregando pessoas e incutindo ainda mais a cultura do descartável e da indiferença. 

Isso não é ensinar! E, nem muito menos educar. Ensinar é um ato coletivo e só acontece numa sociedade que motiva o fortalecimento comunitário e enriquece o poder que se constrói em comum. Quando tal transmissão de conteúdo é fortalecido pela presença de uma pequena massa de participantes, ou por um grupo abonado de riquezas e poder financeiro, as vezes até por privilégio de cor, sexo e raça, isso não é ensino. É a deturpação de um direito que todos deveriam ter sem nunca terem que pagar por isso. É negligenciar um direito constitucional e ofender os Direitos Humanos. 

O conhecimento é um direito humano de cada um e de todos. O apagão dos professores é o resultado do não cumprimento desta regra. O problema, antes de ser da esfera da governança, é da esfera pública e nós somos os primeiros culpados quando não valorizamos os professores. Quando trocamos as salas de aula por qualquer coisa que eu escuto no youtube e tomo como lei e como correto. Quando eu troco o professor pelo Canal tal ou pelo podcast tal, pois ensina o que eu quero e fala aquilo que eu concordo sem me preocupar se é o correto ou não. Quando eu troco os amigos reais pelos chats virtuais, trocando mensagens violentas e mentirosas com alguém que eu nem sei se é real. 

Voltando ao túnel deste grande conhecimento, perder quem nos guia, nos orienta, nos ensina, é perder aquela esperança de que do outro lado haverá luz. 





Texto de: Dione Afonso, jornalista.

Foto: Reprodução / Foto de Leandro Rossi / via pexels.

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