21 de setembro de 2026
Aos 58 anos, a música voltou a participar da sua vida; a música retornou às cordas vocais e o movimento de sua voz a devolveu aos palcos. Celine Dion, há 6 anos havia sido diagnosticada com a Síndrome da Pessoa Rígida (SPR). Uma doença autoimune e rara que afeta toda a pessoa, causando rigidez muscular e espasmos dolorosos. Não queremos, aqui, traçar uma biografia de Celine Dion, nem, muito menos, explorar sua condição física, mas enaltecer e celebrar o seu retorno a uma rotina que sempre sonhou e que muito sofreu quando teve que se afastar de tudo isso.
Para quem pôde acompanhar sua carreira, Celine Dion é responsável por grandes sucessos na música internacional. Embalou romances, filmes e fez o amor nascer na vida de muitos enamorados. Mais do que isso, a cantora conseguia atingir notas musicais surpreendentes. A música que embala o filme Titanic (1997), “My Heart Will Go On” venceu o Oscar e tornou-se uma das músicas mais vendidas da história fonográfica. Em 1991 interpretou a canção tema do filme A Bela e a Fera, mais um sucesso que levou O Oscar, o Globo de Ouro e um Grammy.
Para Celine Dion, a música é mais que uma profissão, um hobby ou um dom. A música é como o sangue que corre em suas veias. É o que a mantém de pé, com vida e o alimento de sua alma. Colecionando mais de 200 milhões em álbuns em todo o mundo, Celine Dion é, hoje, uma das artistas mais rentáveis da história. Ícone da música na década de 1990, suas canções ainda são ouvidas com paixão e certa devoção pelos seus fãs e admiradores.
Quem redige esta crônica, também é um grande admirador da jornada de Celine Dion. Não diria um fã, mas é alguém que admira a potência de uma pessoa em querer vencer na vida e reconquistar um espaço que já pertenceu e que por algumas intempéries teve que se afastar. Nada define mais a força de vontade de alguém do que a autoconfiança. Por mais que alguém possa dizer que para Celine Dion foi fácil, dado à sua imensa fortuna. O dinheiro comprou tudo para ela, o dinheiro abriu todas as portas, o dinheiro a curou da doença etc., etc., etc. O dinheiro ajuda, sim, e muito, mas todos nós, chegamos numa etapa da vida que nenhum montante seria capaz de pagar. E aí, teríamos que lutar apenas com o que temos: a força de viver!
O que define a sua força não é sua ausência e nem o tempo em que você desapareceu. Não é o fato de ter que lutar pelo esquecimento, e nem pela memória curta do povo. Mas é o impacto que causa quando você decide voltar. E todos, incrédulos, perguntando-se: Como? Como é possível? De onde vem tanta força? Que otimismo é esse? Que garra é essa? De onde nasceu a vontade de querer voltar? Que vitalidade é essa? E a dor? O que fez com todo aquele mal? Como superou a doença? Como driblou tamanha enfermidade? Após inúmeras crises da SPR, hoje, Celine Dion vive a vida como uma verdadeira festa. E, de fato, é uma festa. A festa da sua vitória, da sua vida, da sua conquista, da sua volta, da sua música.
As vezes nem se trata de fé. Mas, com certeza ela fez sua parte, você crendo ou não. Todo ser humano é capaz de fé. O que muda de um para o outro é o nível de sua crença. Quando alguém sonha em voltar, esta pessoa deseja ocupar o espaço que sempre ocupou. Aquele lugar que lhe fazia sentir-se com vida. E quando alguém luta incansavelmente por isso, nada há de impedir que conquiste. Nem a enfermidade, nem o mal, nem as limitações físicas, nem, muito menos, as forças contrárias. A primeira aparição de Celine Dion depois do diagnóstico foi na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, interpretando Édith Piaf, no alto da Torre Eiffel.
No mar da vida, sempre iremos nos deparar com os icebergs postos entre as ondas e cabe a nós decidir o que fazer. Não significa que iremos afundar como o Titanic. Podemos ser mais fortes que ele e superar a parede de gelo que encontramos no meio do oceano. Celine Dion encarou sua parede e a derrubou com calma, paciência e tempo e voltou a navegar. Tudo depende do que está em sua memória e em seu coração! Se é o que deseja e se sua luta está focada nisso, um dia, conseguirá! E ela conseguiu: voltou a cantar. Voltou a ocupar os palcos da música e da vida. Dos shows e da própria história. No último dia 12 de setembro, Celine Dion retornou aos palcos e iniciou uma nova turnê que passeará pela Europa. E, no final, depois de alcançar aquela nota mais alta que só ela é capaz de alcançar, ela vibrou e disse baixinho, fora do microfone: “eu consegui!”. E até arriscou uns passos de dança... Essa é a força de Celine Dion. Qual é a sua?
Texto de: Dione Afonso, jornalista.
Foto: Reprodução / Foto de Nicolas Gerardin / via X @celinedion.