12 Jan
12Jan
12 de janeiro de 2026 


Até quando vamos ficar vivendo “momentos históricos”? Nós millenials não aguentamos mais este peso da responsabilidade histórica para a geração futura. Estamos experimentando algo histórico para o mundo! Sério mesmo? E o que nós fazemos com este dado? Mandamos imprimir e emoldurar? Pregamos na camisa e saímos desfilando por aí? 

Nós vimos grandes livrarias fechar as portas e a cultura do livro entrar em crise por conta dos kindle. Vimos álbuns de fotografias serem substituídos pelos carrosséis do Instagram. Fomos os pioneiros no Orkut. Vimos o nascimento do Facebook e seu esquecimento. Vimos a internet surgir e as locadoras fecharem as portas. Fizemos o velório da fita cassete, enterramos o MP3, eliminamos os DVD’s, não acolhemos os Home theater e inauguramos a era do Spotify. Aposentamos o CD. A televisão entrou para o crossfit e ficou magra. Vimos a morte do vinil e a vitrola entrou para o rol das antiguidades e virou item de colecionador. O Blu-ray nasceu e morreu no mesmo dia. 

Nós somos mais velhos que o Google, você sabia disso? O Google Imagens nasceu em julho de 2001, por causa de um vestido verde que Jennifer Lopez usou numa cerimônia de premiação do Grammy. A data de nascimento do YouTube é de fevereiro de 2005. 

O fusca saiu das ruas e os carros elétricos tomaram a frente. Vimos o telefone fixo dar as boas-vindas para os celulares digitais. O micro-ondas ser trocado pela air fryer, os filhos serem substituídos pelos bebês reborn e as creches dar lugar aos pet shops. Passamos pela ditadura, sobrevivemos uma pandemia – não sei se vocês ainda lembram, – mas ela existiu. Os copos Stanley chegam para estender o tempo da bebida fresca, enquanto nós colocamos tudo na velocidade x2 para ficar livre logo de quem nos procura. 

Testemunhamos o Brasil ser o melhor no futebol e sofrer o 7 x 1, há 12 anos. SIM, FAZ 12 ANOS!!! Vimos o Papa e as Olimpíadas virem ao país enquanto ele se tornava palco do maior atentado à democracia. Nós vibramos com o Brasil no Oscar e o carnaval parou por causa disso; e, ficamos incrédulos quando um chinelo Havaiana virou discurso político. Enquanto nós fazíamos planejamentos anuais, hoje, não conseguimos planejar os passos do mês seguinte. Tivemos que conviver e respeitar quem acreditou veemente que a Terra era plana e que a vacina era produto de alguma conspiração. 

Entretanto, nenhum “evento histórico” vai superar este daqui: a chegada do PIX! Só ele foi capaz de substituir a moeda, o dinheiro impresso, o cartão de crédito e o cheque. E mais: as agências físicas bancárias podem estar com seus dias contados! 

Para nós, millenials, setembro já é Natal. Jingle Bells, jingle bells, só vem Papai Noel. Estamos assustados e temerosos quanto ao futuro. Agora estamos vendo a chegada da IA que tem a promessa de revolucionar o futuro. Enquanto isso, diminui o número de leitores, aumenta o número de influencers. Eles tornaram nossos professores, confessores, evangelizadores, alguns parecem que tem mais autoridade religiosa do que o padre que está na sua paróquia. Eles são cozinheiros, nutricionistas, médicos e substituem até seus pais! 

Enquanto isso os professores que passaram 5 anos numa faculdade não têm credibilidade, respeito e nem apoio da sociedade. Trabalha em três turnos de segunda a sábado e recebem menos da metade que esses influenciadores, que nunca pisaram numa sala de aula. Esvaziam-se as Igrejas, escolas estão se tornando coisa ultrapassada e os cinemas estão lutando para sobreviverem a uma política individualista. Mas, estamos vivendo momentos históricos. Quando alguém souber o que devemos fazer com isso, por favor, nos digam. Ou a gente faz igual Marília Mendonça? “Supera!”. Que aliás, a nossa geração a conheceu! 



Texto de: Dione Afonso, jornalista.


Foto: Sérgio Barzaghi / Gazeta Press. Créditos: Gazeta Esportiva.

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