06 Sep
06Sep
07 de setembro de 2026 



Um dado curioso que apareceu no recente levantamento do IBGE apontou que o número de brasileiros que relatam viver com tristeza aumentou. A tristeza, na maioria dos casos ouvidos, está relacionada com os dilemas mentais e problemas de saúde que envolvem cognição e capacidade para pensar, refletir... Estes dados também levam a outro relatório: o número de pessoas afastadas do ofício laboral, que atinge mais de 500 mil brasileiros. Este sentimento de tristeza, se não ganhar a nossa atenção e não for curado, evolui para um grau que se chama “tristeza profunda” e desemboca na terrível depressão. Esta é diagnosticada. 

Muitos são os especialistas que buscam nos responder que ações, situações e práticas levam as pessoas a trilharem este caminho. A maioria tenta culpabilizar órgãos sociais, evoluções tecnológicas, sistemas de mercado que exclui, escraviza ou desumaniza a pessoa... O fato é que quando o ser humano perde a sua própria esperança, parece que este perdeu o próprio sentido da vida. E se este sentido se perde, para quê viver? Algumas teorias afirmam que o contrário da esperança é o desespero. Pessoas desesperadas são pessoas que perderam o controle e quem vive descontrolado, normalmente não reconhece a esperança como limiar, horizonte. 

Não parece que estamos perdendo a nossa esperança? Parece que estamos vivendo como zumbis, apenas indo e vindo, meio que sem um direcionamento. A política vira piada, show de humor; já a religião se assemelha a um filme de terror de tantos escândalos que a envolve. As pessoas passam a não confiar nela mais e preferem “construir”, cada um, a sua própria crença; não confiamos mais nos outros e tudo o que vemos, encaramos com alto grau de desconfiança. 

É difícil apresentar aqui um tratado sobre a esperança. Praticamente todas as áreas do conhecimento possuem uma resposta para ela: para a religião, ela é uma virtude que nos conecta a um Deus que tudo é; para a psicologia, ela é uma força motriz, uma espécie de engrenagem motivacional que nos ajuda a encarar os problemas; para a filosofia a esperança não passa de uma crença no campo das emoções que se manifesta como sentimentos de acordo com o que pensa, sente e faz. No campo da linguística, ela se assemelha a confiança, em algo bom, no sentido figurado ela vira expectativa, desejo, utopia. 

Independentemente do que cada ciência seja capaz de dizer sobre o que é a esperança, de fato, ela parece ter grande relevância em nossas vidas. É notório que as pessoas não têm apresentado uma boa visão a respeito da vida e do futuro. Viver sem essa tal esperança, é meio doentio e vago. É como se a nossa alma se esvaziasse de seu próprio sentido e nós tornássemos apenas um saco de ossos e carne perambulando por aí, sem objetivo e sem sonhos. 

Tem dias que a gente está na promoção, e no saldão de ofertas a gente se vende a qualquer preço e ainda dá descontos para serviços que nem eram de sua alçada. Sem esperança, a gente se torna apenas mais um conteúdo no catálogo de produtos tentando seduzir o cliente. Hoje, parece que vivemos apenas para agradar o outro, em troca de poucas migalhas de desesperança. Aceitamos o prejuízo que pesou no próprio bolso. 

Contudo, há momentos que temos que impor o nosso preço e dizer para si mesmo que temos o nosso próprio valor. Custamos caro, muito caro e nem por isso somos obrigados a nos sujeitar a bancas de ofertas desumanas. Tem momentos que até mesmo a gratuidade tem seu preço, agora, como isso vai entrar em sua folha de pagamento é só você quem pode definir. 

Tudo é uma questão de orçamento, de gestão, gerência e de boa organização. Tudo é uma questão de reconhecimento, de valor, de honestidade, de projeto. 

A esperança nos ajuda a sonhar. E esperança é a certeza de que “aquele que espera”, um dia conquistará algo. Quem perde a esperança, perde a ambição de seguir vivendo e evoluindo. Quando a pessoa não evolui de um dia para o outro, ela apenas sobrevive um dia após o outro. E isso não é viver, é apenas colocar a vida como um fardo sobre os ombros e carregá-la enquanto a saúde do corpo lhe permitir. 





Texto de: Dione Afonso, jornalista.

Foto: Reprodução / Foto de Eugene Laszczewskl / via Pexels.

Comentários
* O e-mail não será publicado no site.