10 de agosto de 2026
O que mais lhe dá prazer? Quais são os prazeres da vida? O que você faz e que te deixa pleno, feliz, realizado e bem? Segundo o dicionário, prazer significa “sensação agradável de alegria, contentamento ou satisfação. Portanto, quando nos sentimos satisfeitos com algo, ou de estar em algum lugar, ou ainda quando realizamos um feito, significa que a sensação de prazer nos foi real naquele momento. Do latim placere, que, traduzindo, temos “agradar”, este substantivo já sofreu, no decorrer das décadas, conceitos pejorativos ou que se reduzissem à banalidade ou ao puro prazer sexual.
Seja dos prazeres momentâneos ou dos que perduram, é fato que tal sensação age como uma massagem em nosso interior. É algo direcionado à experiência de se sentir bem. Algo que relaxa a alma e deixa nosso espírito leve, mesmo que a maioria de nós empregue o termo referenciando a prazeres sensoriais e puramente físicos. Para alguns, são muitas as coisas que lhes concede prazer. Para outros, não é tão simples assim algo proporcionar tal sensação. O que mais lhe dá prazer? E eu respondo: a leitura.
Se tem algo que realmente me faz desligar do mundo, dos problemas, das responsabilidades casuais, é a leitura. Desde pequeno fui educado com o hábito de ler. Livros, jornais, revistas, tudo isso era como que um tesouro para mim. Recentemente, li um livro de literatura de quase mil páginas com menos de 10 dias. Um romance policial que me prendeu e não me deixou dormir enquanto eu não descobrisse a conclusão daquele mistério. Leio todos os dias; escrevo todos os dias. Alimento meu cérebro e exercito o saber diariamente para que não sofra, no futuro, de certa atrofia cognitiva.
Entre as mais variadas invenções que este mundo já viu, acho que a invenção do livro é a que mais me encanta e me surpreende. Nunca poderia imaginar alguma outra coisa capaz de armazenar tanta história e tanto conhecimento assim como um livro. Nada supera o livro no quesito das invenções. Só ele é capaz de nos fazer viajar sem bilhete; navegar sem se molhar; sonhar sem dormir; ter medo sem correr perigo; se apaixonar sem se iludir; chorar e sorrir sem ter motivos reais.
Livro é memória viva. Livro é passado que abraça o futuro. Livro é futuro que acolhe o passado. Livro é o presente que liberta, encanta, emociona, ensina e vive. Livro é cultura, hábito, estilo. Livro dita a moda, ensina a fé, alimenta a espiritualidade, direciona a política e ensina o ritmo da dança. Livro é resistência, permanência, prepotência, divergência, porque ele é o que você quiser que ele seja. Livro é a liberdade que entra por nossas portas e pula pela janela de um horizonte cheio de perspectivas.
Livro é mais que histórias bem contadas. O livro é a narrativa de vidas que se encontram, de mentes que se entrelaçam, de conhecimentos que se cruzam e constroem novas histórias. Do conto à fábula; da poesia à crônica, do romance à autoajuda, dos livros sobre espiritualidade às HQs, das histórias infantis aos traços feitos para colorir.... não importa o gênero. Tem espaço para todo tipo de saber. Todo tipo de livro é bem-vindo, principalmente os que sofrem a censura. Estes são ainda os mais procurados. Quanto mais se proíbe, mais acende o desejo de possuí-lo, não é mesmo?
Sem se importar com o formato: seja o livro físico que você busca na livraria ou compra pelos sites; seja o e-book que você baixa em seu celular ou lê pela tela do computador, o livro não se reduz a um aparato comercial que alimenta sua conta bancária. O livro é a chance de alimentar uma cultura que sustenta a humanidade sobre o pilar da sabedoria. Livro é comunicação que atravessa o tempo; sobrevive às modernidades e se reinventa a cada geração de novos leitores, novos escritores e com novas histórias para contar.
Texto de: Dione Afonso / jornalista.
Foto: Reprodução / Imagem de Thom Gonzalez / via Pexels.