27 de julho de 2026
Desde a virada dos saudosos anos 2000 que eu deixei de ligar a TV e fui, aos poucos perdendo o interesse pela programação aberta da televisão. Esta virada cultural em minha vida se deu pela chegada da Internet. Acredite: mesmo quando ela chegou, pacata, de poucas informações e habilidades, aquilo revolucionou o meu universo pessoal. De imediato, a Internet me encantou. Ganhou a minha atenção quando percebi que minhas pesquisas evoluíam a cada clic. Chegou o Orkut e junto do MSN tive minhas primeiras redes sociais na vida.
Abandonei a televisão e mergulhei, sem reservas, nos sites. O Google já existia – o maior portal de pesquisas do mundo chegou em 1998 – e sua ferramenta de pesquisa virou o meu dicionário, substituiu a Barsa e, aos poucos ele foi conquistando ainda mais. Tornou-se a minha principal fonte de conhecimento, informação, pesquisa e entretenimento. Não demorou muito e comecei a trabalhar com isso.
Mas, um fato curioso e, talvez, um grande parêntesis nesta crônica: eu tive, graças à educação que recebi, um grande respeito pelo ensino. Aprendi a ler e a escrever e a respeitar os livros. Até hoje, sou um defensor das bibliotecas, públicas ou privadas e incentivo a compra de livros. Acredito que as páginas e a literatura são as mais completas fontes de conhecimento que temos. Algo que a Internet não pode tirar de nós.
Hoje, uma vez ou outra me deparo com uma TV ligada numa casa ou na outra e tento acompanhar a programação por alguns minutos, mas não dura muito. Uma coisa ou outra chama a minha atenção e desperta a curiosidade. Foi aí que conheci um quadro televisivo chamado “Duelo de Gerações: “Universo Raiz vs. Time Enzo”. De imediato este nome me despertou a curiosidade para ver do que que se tratava.
A atração é exibida aos sábados no SBT e é apresentado por João Silva, filho do apresentador Fausto Silva, que se consolidou nas tardes de Domingo com o clássico “Domingão do Faustão”, na Rede Globo. O quadro do programa é uma espécie de duelo entre duas equipes. De um lado temos artistas famosos desta geração, alguns Z e até da Alfa dependendo da fama; do outro lado a velha guarda, artistas de grande renome, alguns da geração dos anos 1990 ou antes.
Na competição, eles testam seus conhecimentos sobre a cultura, os ícones, a fama e os famosos da época uns dos outros. A diversão – para mim, no caso – e foi inacreditável ver, os atuais jovens não reconhecerem rostos impossíveis de não saber quem é como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Rita Lee, Miguel Falabella até o Pelé o “Time Enzo” não conseguiu reconhecer. Assim como os artistas do “Universo Raiz” também não reconheceram figuras como MC Melody, Pedro Sampaio, Virgínia, João Gomes entre outros...
Da chamada “geração Enzo” lidamos com ícones da Internet, influenciadores, personalidades de TikTok. Já estes jovens talentos precisam lidar com as grandes lendas da TV, vozes que marcaram época e ditaram a cultura na MPB, além de personalidades históricas. Eles – e alguns de nós, dependendo da sua idade – não tivemos o auxílio das redes sociais para criar a nossa fama. Tudo era construído pela mídia impressa local, pelos programas televisivos, o rádio e. O máximo que tínhamos era as comunidades no Orkut, mas, a gente nem chegou a pensar em usar a rede para o trabalho.
Não demorou muito, quatro aos depois, Mark Zuckerberg lançou o Facebook. A rede social que revolucionou a nossa forma de interagir pela Internet e a rede mundial de computadores. Com Facebook o cenário mudou completamente. Até hoje prova-se como uma rede invicta e que movimenta o mercado digital através de suas publis e o impulsionamento de marcas e produtos.
Texto de: Dione Afonso, jornalista.
Foto: Reprodução / via X.