29 de junho de 2026
É oficial!
Os alienígenas existem, OVINs são reais, há vida além do planeta Terra e nós humanos não somos os únicos seres viventes a habitar esta galáxia. Em 1902, o cineasta francês Georges Méliès produziu o curta-metragem Viagem à Lua. História é a primeira da Sétima Arte a “brincar” com as possibilidades de haver alienígenas entre nós, sobrevoando nossa atmosfera e construindo lares em outras dimensões espaciais. Depois, na década de 1950 o cinema moderno lançou o clássico O Dia Que a Terra Parou. Robert Wise (1914-2005) apresentou uma jornada em que um alienígena pousa na Terra com a missão de levar uma mensagem de seu líder aos governantes do nosso planeta.
Mas, nada supera a experiência que Steven Spielberg nos proporcionou com E.T.: O Extraterrestre, de 1982. O alienígena, mesmo de aparência não muito agradável, desta vez é um ser inofensivo que acaba cativando a amizade de crianças. Spielberg nos fascina com uma jornada de descobertas, valores e sentido da vida. As décadas foram evoluindo e as possibilidades de criação na arte também foram ganhando novas proporções. Spielberg ataca mais uma vez e neste primeiro semestre de 2026 lança o longa Dia D, no inglês “Disclosure Day”, algo que se aproxima de “O Dia da Revelação”, ou “Dia da Divulgação”, em tradução livre.
Entre um filme e outro, uma proposta narrativa e outra, fica evidente que as produções sempre transmitem uma única mensagem: o ser humano não aceita, não consegue conviver e não concorda com o fato de existir outra cultura, outro povo ou outro ser que seja superior à nossa inteligência, nosso costume de vida, nossa forma de sobrevivência. Fica claro que se surgir algum boato de que há vida possível e inteligente fora da Terra, isso se torna uma ameaça a nós. Por que será? É neste ponto que chegamos ao tema desta crônica e ao alerta fake da Defesa Civil.
Era madrugada, por volta das 1h30 de um sábado. Poderia ser um fim de semana promissor. Passear com os amigos, curtir um cineminha, planejar o churrasco com a família, aproveitar o tempo com os filhos... Mas os “desmancha prazeres” de plantão tinham outros planos para alguns brasileiros. Muitos celulares dispararam num assustador alarme da Defesa Civil comunicando um alerta de perigo extremo. Depois daquele alerta ter provocado alvoroço e grande repercussão entre os brasileiros, a plataforma da Defesa Nacional foi tirada do ar com suspeitas de ataque hacker.
Segundo relatos o fenômeno que atingiu os aparelhos celulares de boa parte dos brasileiros foi resultado de uma invasão no sistema da Defesa Civil. O alerta que espalharam continha uma mensagem intrigante: “alerta extremo: risco de misantropi4”. Curiosamente, este fato tem tudo a ver com as narrativas fictícias que citamos acima. Misantropia significa aversão, desconfiança ou desprezo profundo pela natureza humana. É o oposto de filantropia. O misantropo cultua certo ódio às pessoas, avaliando o comportamento humano de forma pessimista. Ele prefere o isolamento, evita a companhia e cultiva o distanciamento social. Tem dificuldades em estabelecer vínculos e tem ojeriza à humanidade.
Tudo isso nos leva ao seguinte questionamento: por que narrativas que evocam a possibilidade de haver outros seres no nosso sistema solar perturbam tanto os humanos terráqueos? E ainda: por que temos tanta dificuldade em aceitar que pode existir outros seres inteligentes vivendo em outras dimensões intergaláticas e que nós, humanos, não somos os únicos neste mundo? Tentarei lhe responder: temos dificuldades em aceitar que somos os únicos; dificuldades em aceitar que temos concorrentes nesta seara inteligível de conhecimento humano.
As narrativas que Steven Spielberg; Ridley Scott com a franquia Alien; James Cameron; Denis Villeneuve com A Chegada; M. Night Shyamalan entre outros que alimentam o nosso imaginário com a presença de extraterrestres são sucesso de bilheteria e motivos de perturbação para nossas consciências. O que poderia ser apenas um “fetiche” cinematográfico acaba se tornando uma tormenta e grande dor de cabeça para quem suspeita de que nós humanos temos “concorrentes” e podemos “perder” nosso posto de seres humanos inteligentes, poderosos e os únicos capazes de entender e conhecer o mundo através de nossas invenções...
Há quem diga que termos um trilionário em nosso meio pode ser um passo decisivo para essa empreitada... Será?
Texto de: Dione Afonso, jornalista.
Foto: Reprodução / via X.