08 Jun
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08 de junho de 2026 



Sinônimo de acaso, sucesso ou, as vezes é confundida até com a felicidade, a sorte parece ser mais uma “força favorável e imprevisível” vinda na sua direção diante de uma situação que supõe necessitar de algo mais que suas próprias entidades lógicas e normais. Fruto da causalidade favorável sem uma explicação lógica, diferente da felicidade, que retrata uma vida virtuosa com explicação racional, a sorte não se equipara a tal sentimento ou estado de vida. Na verdade, não há uma filosofia centrada que seja capaz de dar à sorte um significado racional. 

O máximo que a filosofia foi capaz de identificar é que a sorte está ligada à “porção que cabe a cada um na vida”, podendo indicar tanto uma boa ou má sorte diante de determinada circunstância. O dicionário online Michaelis diz que a sorte é uma “força desconhecida e poderosa” responsável por atribuir certos acontecimentos “independente da vontade do ser humano”. Mas, há uma tradição ainda mais antiga que remete a sorte a certa “ironia do destino”, dando a ela um certo grau de “fatalidade. 

O trevo de 4 folhas é uma mutação rara que ocorre na planta. Cientistas afirmam que é possível encontra 1 em cada 5 a 10 mil plantas. Isso sim é sorte! Já imaginou? Um dia, você se deparar com um trevo de 4 folhas? Você seria a única pessoa num raio de outras 10 mil que teve a grande sorte de encontrá-lo. A anomalia é associada à boa sorte. Na tradição popular, suas quatro folhas simbolizam: fé, esperança, amor e sorte. Nem sempre a sorte é resultado de um ato positivo, neste caso é uma anormalidade que gerou um ato de sorte. Ou seja, na vida nem toda sorte gera bons resultados, ou, nem tudo o que é bom, veio de algo positivo. Nem toda pessoa sortuda é, de fato feliz; e nem toda felicidade é fruto da sorte, na real, quase sempre, nunca é. 

De origem do continente europeu, os Celtas começaram a difundir a crença da sorte associada ao trevo de 4 folhas. Uma tradição remontada à Antiguidade de um povo que viveu na Europa há mais de 2 mil anos. Começaram a criar peças de ouro, joias e pingentes de pérolas de um trevo de 4 folhas, dando à planta o simbolismo que ela representava. Quando, por exemplo, um líder era “tomado sem explicação” de uma série de coincidências felizes, aquilo era remetido ao trevo de 4 folhas, à sorte que o encontrou e o favoreceu. 

Eles acreditavam que “tropeçar” com a quarta folha do trevo era o mesmo que “ganhar um presente” da natureza. A crença dos celtas ainda creditava ao trevo de 4 folhas poderes mágicos capazes de afastar espíritos maus, além de, aquele que se tornasse o portador do trevo, recebia proteção divina e a sorte dos deuses. Na tradição e em certas culturas, o número 4 é forte e remonta à perfeição: os pontos cardeais são 4; as estações do ano são quatro; os elementos da natureza são 4; as fases principais da lua são 4; o jogo de cartas do baralho é dividido em 4 naipes; as asas da borboleta possuem 4 partes; na Geometria, o 4 é a totalidade; 4 são os cavaleiros do apocalipse; a terra é determinada em 4 cantos; na bíblia, 4 são os evangelistas; o livro sagrado do hinduísmo é dividido em 4 partes; no Japão, o número 4 é associado à morte; 4 são as pontas da cruz e 4 são as fases da vida humana. 

Com o passar das eras, a crença do trevo foi evoluindo e algumas crenças passaram a identificar as quatro folhas como sendo sinais de esperança, fé, amor e sorte. Independentemente de sua crença ou se você mantém essa ou aquela superstição, 99% dos seres humanos acreditam nessa força imaginária identificada como sorte. Acertar os números da loteria ou livrar-se de uma situação indesejada pode ser considerada por você como pura sorte, ou, às vezes, pode ser nada mais, nada menos, que o resultado de seu esforço cotidiano na tentativa de se tornar, a cada dia, uma pessoa de bem, esforçada, leal e justa. 



Texto de: Dione Afonso, jornalista.

Foto: Reprodução, imagem de Bahar / via pexels.

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