25 May
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25 de maio de 2026 



Ou você morre herói, ou vive o suficiente para se tornar vilão”, disse o personagem Harvey Dent em Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008, Christopher Nolan). A máxima, extraída do roteiro de Jonathan Nolan, irmão do diretor que assinou o filme, é anunciada por Harvey (Aaron Eckhart) antes dele se virar contra o herói. Ela afirma que quando não sabemos o tempo de mudar de rota, ou quando nos deixamos levar pelas pressões da vida, podemos perder o rumo e até mesmo o sentido da nossa história e, assim, perdermos nossos ideais e o projeto que construímos para a nossa vida. 

Na última segunda-feira, 18 de maio, o então técnico da Seleção Brasileira de Futebol, o italiano Carlo Ancelotti, anunciou os 26 convocados para a Copa do Mundo 2026, sediada no Estados Unidos entre junho e julho. Sou da era em que o Brasil era mundialmente reconhecido como o país do futebol; a terra em que o esporte era insígnia de autoridade, semente fértil em solo sagrado. O futebol era quase que uma religião com sua tábua da salvação. Das cinco vitórias do Brasil na Copa, eu presenciei as duas últimas: a de 1994 e a de 2002. Depois, assisti o país perder as cinco edições que vieram até então e vi o Brasil perder sua autoridade no assunto, virando piada, memes na internet, zoação em canais do YouTube e pautas nas revistas de fofocas mais do que nas páginas esportivas. 

Não entendo de futebol. Sou apenas um admirador do esporte e torcedor sem muito entender o que acontece em campo. Não me sinto no direito de opinar sobre as qualidades de um jogador. Contudo, achei um grande exagero quando em 2014, a Revista Time, norte-americana, estampou na capa de uma de suas edições a foto do jogador brasileiro Neymar Jr. Com o slogan “The Next Pelé” – “O próximo Pelé”. Para aqueles que viveram a chamada Era de Ouro do futebol brasileiro com nomes como Pelé, Garrincha, Zico, Romário... a campanha publicitária encabeçada pela Time pode ter soado um pouco ofensiva. Não querendo expor meu pessimismo, mas para se tornar um novo “Pelé”, o indivíduo, como dizia minha avó, “tem que comer muito angu com taioba e se banhar na minha água três vezes”. 

Agora vivemos a era Neymar Jr. Um nome que divide o público mais que o papa. Angaria discípulos e adoradores mais que os políticos que disputam o palácio governamental. Entre opiniões, análises jornalísticas e críticas esportivas, a linha tênue entre fã ou hater nunca esteve tão mesclada como agora. Afinal: o que o nome Neymar representa, de fato? Ele é o melhor jogador desta geração? Será ele, de fato, o salvador do esporte como a Time apontou desde 2014, edição da Copa que nos deixou em 4º lugar depois de um fatídico 7 x 1? Amado por alguns e odiado por muitos, nunca vi uma celebridade dividir tanto assim as opiniões públicas. 

Neymar é o primeiro jogador brasileiro de futebol que surge na era das Redes Sociais. O universo tecnológico das mídias gestou toda a sua fama, encarregou-se de vender sua imagem e o fez tornar-se conhecido no mundo todo. Ele é o primeiro a encontrar na seara digital o brilho da celebridade. Há os que defendem que este dado tecnológico o moldou tão diferente de seus antecessores, e, por isso, tornar-se algo de tantas manifestações inflamadas. Sabemos o quanto a internet tem o poder para consolidar uma imagem como tem para tirá-la do rol da fama. 

Numa tentativa de se livrar do estigma opinativo e de julgamento, o nome Neymar Jr. tem provocado muitas discussões entre sites e portais de notícias. Enquanto uns resgatam seus grandes feitos na carreira esportiva, outros evidenciam a crise no esporte ao elencar um jogador de 34 anos com um histórico médico questionável. Há ainda os que levantam a pauta do preconceito, tentando justificar os que o atacam de racismo estrutural. Afinal, Neymar era uma criança pobre, de favela e negro. Mas e o Vinícius Júnior? De 25 anos, também era pobre, da periferia, negro e que sofreu recentes ataques racistas muito mais evidentes, sobretudo em campo. Em 2024 foi eleito pela Fifa como Melhor Jogador do Mundo. Ou seja, por que se justifica com um e não com o outro? 

Se foi ou não uma decisão acertada a convocação de Neymar para mais uma Copa do Mundo, acho que essa resposta só o técnico saberá. O fato é que seu nome foi desejado; o anúncio de sua convocação foi celebrado como se o Brasil já tivesse vencido a Copa. E a internet quase tem um pico de queda com as vibrações dos torcedores brasileiros e até dos colegas jogadores. Do lado chato da história, ouso dizer que quando um nome é posto em destaque demais, ovacionado demais, requisitado demais, temo que o foco principal da missão poderá sofrer algum tipo de desvio e, portanto, não atingir a meta final. Enquanto isso, vocês que estão do outro lado, só resta voltar a pintar as ruas, pendurar bandeirinhas verde e amarelo e torcer (mais uma vez) pelo Brasil. 





Texto de: Dione Afonso, jornalista.

Foto: Reprodução não-oficial / via Portal UOL.

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