13 de abril de 2026
Não sei se foi uma boa ironia do destino, ou se fazia parte de um curioso pacote de piadas, ou, se simplesmente estava agendado para acontecer nesta data. Mas, foi exatamente num 1º de abril – dia mundialmente conhecido como o “Dia da Mentira” – que a National Aeronautics and Space Administration (NASA) lançou no espaço a Nave Artemis II numa viagem espacial que duraria 10 dias.
A bordo de 4 astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, mais de 50 anos depois, humanos desafiam as leis gravitacionais e, com avanços tecnológicos e científicos realizam, pela primeira vez, um voo ao redor da Lua. A missão ganhou notoriedade na mídia quando, além disso, a nave entrou no que chamam de “lado obscuro da Lua”. Trata-se da área lunar que não é iluminada pelo Sol. Há um tom apreensivo e preocupante, pois, quando a Artemis II entrou nesta zona noturna, a comunicação com a Terra falhou, mas, o sucesso da missão não foi comprometido.
No dia 10 de abril, eles retornaram à Terra, pousando no Oceano Pacífico. Assistido por milhares de pessoas ao redor do mundo este retorno fez história. Parece-nos que o sucesso da missão poderá garantir grandes feitos para o futuro da ciência e das explorações intergalácticas. Afinal, não é todo dia que lançamos foguetes para o espaço e que ele retorna intacto.
Por outro lado, e aqui habita a nossa brincadeira literária, enquanto esta nave encerra seu voo, outra está prestes a voar, definitivamente. Cuidado para não criar altas expectativas daqui pra frente: a Artemis é uma nave espacial verídica, tecnológica, fruto de um grandioso trabalho científico. Não é o caso, agora desta próxima “nave”, que é mais fruto da ficção imaginária, um protótipo ilusionista que sempre orbitou em nossas consciências, sobretudo, na infância.
“O Último Voo da Nave” é uma turnê celebrativa dos 50 anos de carreira da artista brasileira Xuxa Meneghel. Ela também se apropria dos avanços da tecnologia construindo para seus shows estruturas de última geração. O espectro de sua nave, diretamente contando com tecnologia holandesa, vem para marcar a era de toda uma geração. Pode até ser imaginária, mas não deixa de ser real para uma legião de fãs.
E nós, ficamos aqui, assistindo uma nave pousando enquanto outra alça um novo voo. Enquanto uma realiza um feito inédito a outra faz do inédito, um feito. Enquanto uma marca um divisor de águas na história da ciência, a outra não divide, mas une gerações, culturas, gostos, público num único encontro. Numa única festa. Xuxa não é cientista, tão pouco astronauta, mas ela também desafia as leis da gravidade. No auge dos seus 63 anos de idade, 50 de carreira, encarar público, multidão, arriscar dançar e cantar sobre palcos, é, para ela uma conquista histórica.
O fato é que nós, brasileiros, não fazemos muita distinção de qual voo vale mais ou vale menos. Queremos apenas assistir. Acompanhar. Há aqueles que torceram muito pelos astronautas. Há outros que, amantes da tecnologia e das questões do espaço, acompanhou o passo a passo dessa jornada. Há aquelas que se sentiram representadas pela Christina, uma mulher no espaço. Sim! UMA MULHER, ASTRONAUTA, NO ESPAÇO, VOANDO AO REDOR DA LUA! E ainda há aqueles que entendem o que isso significa, mas seguem suas vidas como se nada tivesse mudado. E, de fato, não mudou! Amanhã, vamos levantar novamente e seguir os planos de uma vida corriqueira, cheia de compromissos na agenda e responsabilidades para cumprir.
A pesquisa científica da NASA continua. Nunca é o fim, nunca será o último, sempre há próximos passos. E, para a Artemis III o objetivo será pousar na Lua, andar, caminhar, sentir a superfície lunar. Já para Xuxa, “a rainha das naves”, ela própria já se autointitula como seu último voo. Sua nave será guardada para sempre... é o que diz!
E para nós, enquanto estamos a decidir se voamos ou não. Se vamos à Lua ou não. Se vamos cantar e dançar com a Xuxa ou não. Isso não parece importar muito para nossas vidas terrestres. Sabemos que há muita coisa acima das nossas cabeças. Desde lixo espacial até a infinitude do universo com suas cores, belezas e perigos. Tentar desvendar o que está distante de nossas mãos talvez não seja uma ocupação que nos interesse muito.
Texto de: Dione Afonso | Jornalista
Foto gerada por IA / via Google Gemini.