16 de março de 2026
Sendo um conhecedor da bíblia, ou não; um religioso devoto, ou não, acredito que todos já ouviram a história de Tomé. O discípulo que desconfiou. Não pretendo entrar aqui no mérito da fé que classifica a desconfiança de Tomé como aquele que não acreditou, portanto, que duvidou da fé no Salvador. Não. Não é bem este caminho que propomos desta vez. Mas, calma! A estrada que lhe convido a percorrer não elimina as outras.
A desconfiança é um dom! Sua manifestação habita em seres que questionam a integridade e a veracidade dos fatos, das situações e, até mesmo, das pessoas. Desconfiar não é falta de fé, nem, muito menos desacreditar, mas é colocar sob o prisma da verdade o que se está recebendo como norma, ou como fato real. Aquele que desconfia protege-se, não se arrisca e nem dá um passo sem, antes, verificar se a ponte está segura.
Há ainda aquele caminho que classifica a desconfiança como sofrimento humano. Ela vira transtorno e ganha até um nome próprio: Transtorno de Personalidade Paranoide – TPP. Se optarmos por este caminho, a desconfiança deixa de ser dom e se torna dominação. O dom não domina, o dom cria, gera, dá autoridade, deixa fluir. Quando algo na nossa vida deixa de ser dom e se torna dominação, aí vira estranheza, inflexibilidade, autoritarismo, deficiência. E, entre tantas deficiências que há nos humanos, existe a que se assola em nossa consciência.
Quem vive sob o guarda-chuva da suspeita, este não é feliz. A filosofia grega nos ensinou isso ao consagrar os grandes “Mestres da Suspeita”. Talvez nem se trata tanto de um caminho rumo à felicidade, mas aqueles filósofos fizeram da desconfiança a engrenagem responsável capaz de lhes mover. É válido nos vestir de certas desconfianças, não aquela que manipula, mas aquela que gera novos caminhos e novos conhecimentos.
Quem vive de PRÉ-ocupações, este não tem liberdade no dia a dia; quem age sempre às ocultas, este não “deixa a vida te levar”; quem guarda rancor com muita frequência, adoece jovem; quem age por impulso, não consegue amadurecer como pessoa e vive numa eterna infantilidade. A lista pode continuar por você mesmo. Se você tem TPP, você precisa de ajuda, pois toda doença tem tratamento e a cura é possível quando acreditamos nela e a desejamos. Neste caso, não é saudável desconfiar, mas buscar confiar na força de quem pode te indicar caminhos novos. Caminhos de cura.
Texto de: Dione Afonso, jornalista
Foto: de Betül Nur Akyürek / Pexels.