Chegamos à terceira temporada de Entrevista com o Vampiro, adaptando as crônicas vampirescas da autora Anne Rice. Neste terceiro capítulo, O Vampiro Lestat dá ao protagonista uma chance de se redimir enquanto ele vive sua vida regada a glamour e muita música. Fica um questionamento muito sutil enquanto os episódios desta temporada vão evoluindo: como que Lestat de Lioncourt decidiu viver longe de seu único amor Louis du Lac por tanto tempo? E a resposta é simples: ele não conseguiu, simplesmente omitiu esta parte de sua vida a fim de tentar dar significado no pouco que restava. Portanto, compor seus álbuns musicais sobre o nome “Fracassos” foi uma espécie de válvula de escape para tentar seguir sua vida por mais alguns séculos.
Na nova temporada temos o retorno do quarteto mais confuso que já vimos: Louis du Lac (Jacob Anderson); Lestat de Lioncourt (Sam Reid); Armand (Assad Zaman) e o jornalista Daniel Molloy (Eric Bogosian), agora, também um vampiro. Delainey Hayles também retorna e os reforços ficam a cargos de: Jennifer Ehle; Christopher Heyerdahl; Bally Gill e Sheila Atim. O terceiro ano desta adaptação ganha o título de O Vampiro Lestat, pois este é um capítulo dentro das Crônicas Vampirescas de Anne Rice que compõem a grande saga de Entrevista com o Vampiro. O quarto ano irá adaptar A Rainha dos Condenados, outra Crônica Vampiresca.
Somos guiados pela trama musical nestes oito episódios. Reid rouba a cena com um Lestat absorvido em suas melodias dramáticas, persuasivas e por uma fama que constantemente a ignora. Surge, no meio desta trama a personagem Sophia, uma vampira do passado de Lestat e de um passado consanguíneo, pois Sophia era Gabriela, a mãe de Lestat. Sua presença dentro da trama serve apenas para nos confundir e confundir ainda mais a narrativa. Uma mulher que parece deter um certo poder e controle emocional que arquiteta e tenta controlar os anseios e desejos do filho. O que não dá muito certo. Mas toda a narrativa vai construindo um ambiente até chegar ao seu clímax final, quando vemos a dupla Reid e Anderson de volta, sentados no banco da praça discursando sobre a vida, sobre o amor, sobre os sonhos...
Nesta temporada Louis du Lac está mais retraído e tendo que lidar com questões íntimas. Primeiro ele se vê perdido numa falsa lembrança que tinha de Claudia (Hayles). Conhece uma jovem com as mesmas afeições da filha adotiva e tenta ali se reconectar. Outro “fracasso” que a temporada precisa lidar por conta de seus personagens. É preciso destacar que a trilha sonora está impecável e magistral. Ela consegue elevar a nossa experiência com magnitude e excelência. Reid está memorável em seu papel e ele consegue carregar nas costas toda a temporada, mesmo que os demais personagens encontram o equilíbrio certo nas poucas cenas que lhes restam. Na primeira temporada vimos o quanto Rice consegue reescrever toda a fantasia vampiresca que nos encanta. Já no segundo ano, o melodrama torna-se motor principal da narrativa.
Por fim, Daniel Molloy (Bogosian), agora um vampiro, está desgostoso da vida e se torna aquele jornalista imprestável que só sonha em usufruir de outras histórias a fim de conquistas a fama que ele acredita ter sido roubada dele. Molloy está chateado e concentra as suas energias apenas no desejo de querer destruir o outro. Une-se a Armand (Zaman), outro desgostoso que não consegue lidar com o abandono e a traição e juntos eles tramam uma cilada para destruir a reputação de Lestat e de Louis. O episódio final é grandioso. Ele consegue retribuir todo o fracasso dos episódios anteriores – e aqui isso é uma metáfora – para revelar para nós que o maior fracasso de nossas vidas é continuar vivendo com desgosto porque acreditamos que não obtivemos o merecido amor que sonhamos um dia ter tido.
Por Dione Afonso, jornalista.