09 Jul
09Jul

A 78ª Edição do Emmy Awards está no ar e anunciou nesta semana os indicados à premiação entre os melhores da televisão. Enquanto a Disney Plus lidera com 125 indicaçoes, o streaming HBO Max, segue logo atrás no ranking de indicações, com 122 menções, deixando a sua arquirrival, Netflix em terceiro lugar com 111. É notório também a ascensão da Apple TV que somou incríveis 89 indicações. A HBO é detentora das produções com o maior número de indicações, com a aclamada The Pitt, com 25 indicações e a série de Comédia Hacks, com 24. A cerimônia de premiação das Categorias principais acontecerá dia 14 de setembro e as estatuetas das Categorias técnicas, como de costume, são entregues uma semana antes, nos dias 7 e 8. 

Na Categoria de Melhor Minissérie (ou Antologia), Treta, da Netflix concorre com DTF St. Louis, da HBO, O Monstro em Mim, da Apple TV e com duas da FX: História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette, e o drama Tudo Culpa Dela. Minissérie de 8 episódios é criação de Megan Gallagher e traz no elenco Sarah Snook e Jake Lacy, vivendo o casal principal Marissa Irvine e Peter Irvine. E história acompanha o drama de uma família que se deparam com o desaparecimento do filho, o pequeno Milo Irvine (Duke McCloud). Michael Peña; Dakota Fanning; Daniel Monks; Jay Ellis; Abby Elliott e Sophia Lillis completam o time impecável do elenco. 


Na verdade, foi tudo culpa dele 

É necessário, de antemão, avisá-los que terá muitos spoilers neste texto, pois é impossível narrar com precisão esta história sem mencionar alguns detalhes da trama. Como o próprio título deste artigo afirma, ao decidir dar play, estejam preparados para lidar com um drama bastante pesado, com situações desconfortantes e diálogos familiares necessários, urgentes, mas difíceis de digerir. Este é um daqueles dramas em que nem tudo o que aparece no começo, de fato é, e nem todos os mocinhos são tão bonzinhos como a gente pensa que são. Mas, já de imediato, percebemos a presença desconfortável que Peter (Lacy) causa quando ele entra em cena. Peter Irvine é o estereótipo clássico do que é uma masculinidade tóxica. A necessidade de se sentir útil e de manipular todos que estão à sua volta faz dele autossustentável e torna todos ao seu redor totalmente frágeis e dependentes de “seus cuidados”. 

Ser tóxico é exatamente o que este personagem nos mostra: no fim das contas e até mesmo durante todo o processo ele não percebe o que faz e nem faz ideia de que o que ele faz é ruim e prejudicial para os outros. No fundo, ele sempre vai pensar que está fazendo a coisa certa. Ao lado de Lacy, Snook está impecável em seu papel. A mãe despedaçada pelo desaparecimento do filho, mas ao mesmo tempo muito atenta a todos os sinais e não teme ter que enfrentar a família e os amigos próximos sobre seus passos e cada ação que fizeram. Milo foi sequestrado e a mãe só quer ter respostas e encontrá-lo vivo o mais rápido possível. A trama segue com diálogos cirúrgicos e a narrativa é construída com aquele recurso que nos faz querer saber mais, ver mais, descobrir tudo o que ronda este mistério. É uma série maratonável e é impossível não assisti-la de uma vez. 

Michael Pena está muito bem no papel do Detetive Alcaras. Já o conhecemos em papéis menores e desta vez ele comanda uma investigação, é pai de uma criança neurodivergente e o roteiro que Gallagher faz com que os desafios familiares não sejam apenas assessórios, mas eles dão sustentação e relevância aos personagens, conferindo a eles veracidade nos fatos e no desenrolar das situações. Ter que lidar com a vida pessoal, os dilemas da família e casar tudo com a vida profissional é fazer um jogo de cintura e não deixar nenhum dos lados desmoronar. Algo que Jenny (Fanning) não consegue. Uma publicitária e coordenadora de marketing editorial de renome e respeito, que está prestes a realizar um grande sonho com um autor grande. Enquanto em casa, não consegue conciliar a vida com o marido e filho. O divórcio foi a solução. 


É tudo culpa de todos nós 

A série termina com uma certeza: as escolhas que fazemos no caminhar das nossas vidas é de nossa responsabilidade. Quando não se tem mais escolha, na verdade, ela já está ali, feita, aguardando-nos apenas ter a coragem para dar o passo. Escolha amarga, talvez, mas que precisa ser encarada. Cada personagem fez a sua e teve que lidar com as consequências futuras. Os acidentes, as sequelas, as recaídas diante de um vício que não foi cicatrizado, decisões profissionais, escolhas de amizade, enfim... Todos os dias fazemos as nossas. 

Na cena final, o detetive Alcaras deixou a sua lição ética sobre a vida: a de não conviver com um erro, mas a de aceita-lo quando ele libertou toda uma família de um abuso de poder cruel; quando o erro deu a uma criança uma nova chance de futuro; ou quando o erro aproximou novas amizades, talvez mais leais e compreensivas. A minissérie, além de concorrer na Categoria principal do Emmy, ainda emplacou Megan Gallagher concorrendo a Melhor Roteiro; Sarah Snook como Melhor Atriz em Minissérie e Dakota Fanning concorre a Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie. É uma boa pedida para se assistir no fim de semana e se aventurar com uma mãe e mulher forte diante de uma tragédia familiar. Fria e calculista, mas ao mesmo tempo emotiva e com um senso de amor grandioso.




Por Dione Afonso  |  Jornalista

Comentários
* O e-mail não será publicado no site.