11 May
11May

Ryan Murphy ataca mais uma vez! Nessa ele se alia a Matthew Hodgson para adaptar as histórias de Jeremy Haun e Jason A. Hurley, publicadas na segunda década dos anos 2000. O subgênero body horror está vivendo seus tempos de glória depois que a cineasta francesa Coralie Fargeat “furou a bolha” levando A Substância para os holofotes das cerimônias de premiação. Apesar de Murphy ser uma máquina de produção de narrativas para TV, ele tem uma deficiência criativa que conta muito: a coragem de se permitir aprofundar-se em temas morais e sociais que são relevantes para o público. E The Beauty: Lindos de Morrer sofre por isso. 

Evan Peters e Rebecca Hall protagonizam a história dando vida aos detetives Cooper Madsen e Jordan Bennett. A dupla se depara com um episódio que desafia as normas naturais. Corpos que explodem de dentro para fora após ele atingir um nível febril muito alto, que seria impossível um corpo humano suportar. O elenco traz grandes nomes como Anthony Ramos, Jeremy Pope, Ashton Kutcher, Isabella Rossellini, Jessica Alexander e a modela Bella Hadid. Vivendo numa década em que a busca insaciável pelo “corpo perfeito” através de canetas emagrecedoras como a Ozempic e Mounjaro, apresentar uma narrativa que altera seu CPF e te garante corpo escultural, aparência padrão e idade rejuvenescida, a premissa teria tudo para dar certo. 


Uma harmonização que deu errado 

Não são só as canetas emagrecedoras que estão na mira do nosso público, a alta busca pelas harmonizações corporais também entram para o rol dos instrumentos milagrosos que garantem uma aparência padronizada para a sociedade. Quando Fargeat nos presenteou com a ótima narrativa liderada pelas impecáveis Demi Moore e Margaret Qualley, aquele subgênero nichado chamou a nossa atenção. A sociedade hoje vive uma pressão absurda pela aparência “aceitável” e o pela cultura do corpo perfeito. Mas a proposta que Murphy e Hodgson não se sustenta por muito tempo. Para uma primeira temporada que contém 11 longos episódios, essa dupla até nos cativou com um início empolgante, com explosões sangrentas e um bom ritmo, mas, perde-se ao se esquivar dos temas que deveria se aprofundar.  

Hall e Peters nos conduzem a uma investigação que nos faz visitar a beleza parisiense, o requinte da França e o caos de Nova York. Infelizmente esse é o único ponto positivo da série. O resto tudo desanda a cada episódio. Cooper, o personagem de Peters é um acerto, mas rapidamente ele se esquece do resto dos personagens ao redor dele e “rouba” o brilhantismo de todo o corpo do elenco. “The Beauty” é uma substância desenvolvida por um cientista que foi privilegiado por muito dinheiro e oportunidade. Injetada uma única vez, você passa pelo casulo da transformação e se levanta como uma nova pessoa. Mas, a beleza tem um preço, e um deles é alto demais: a ganância, a ambição e o desejo de poder. O vilão, que é vivido por Kutcher é fraco, sem força de atuação e chato. 

Murphy ainda pode se salvar, se ele quiser. A primeira temporada, apesar de ter deixado um gancho para seguir em frente, ainda não há confirmação de renovação. O status atual do roteiro consiste numa DST da beleza que pode ser transmitida até pela troca de salivas. Ou seja, Lindos de Morrer, literalmente por um ato de amor que pode alterar de vez o seu destino. A policial Jordan é infectada e sua nova aparência passa a ser interpretada pela atriz Jessica Alexander. O vilão Byron Forst, o magnata empresário e detentor da fórmula “The Beauty” divulga as doses para todo o mundo e vende para quem quiser ser “remodelado” a fim de se encaixar numa sociedade perfeita, bela e jovem.




Por Dione Afonso  |  jornalista

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