O segundo ano da saga mitológica criada por Rick Riordan trouxe para as telinhas as desventuras do segundo livro: O Mar de Monstros. Com a missão de proporcionar uma experiência inesquecível para os fãs, a produção manteve sua fidelidade com as páginas, fotografia bem feita e atuações muito boas. Em relação ao primeiro ano, a segunda temporada corrige o ritmo narrativo e consegue nos proporcionar com episódios curtos uma aventura breve e muito bem roteirizada. Contudo, ainda sentimos dificuldade em perceber que algumas situações poderiam ter sido melhor explicadas, mas, no balanço geral, este ano superou o primeiro, enriquecendo e evoluindo a trama.
O trio Walker Scobell; Leah Jeffries e Aryan Simhadri retornam como Percy Jackson, Annabeth e Grover. Junto ao elenco, temos a adição de Daniel Diemer que faz um excelente cicplope, Tyson, irmão de Percy. Destacam-se também: Dior Goodjohn; Charlie Bushnell; Tamara Smart e Glynn Turman além de outras adições que roubam a cena. No segundo ano, Percy, Annabeth e Tyson precisam encontrar Grover que está desaparecido no Mar de Monstros, enquanto o acampamento sofre uma ameaça arquitetada pelo Titã Cronos e comandada por Luke.
Aparentemente, para quem não leu os livros de Riordan, percebe-se que todos eles seguem o mesmo script: introdução da missão; ameaça anunciada; escolhas que definem o final. No primeiro ato, fomos apresentados de maneira bastante criativa o novo personagem Tyson (Diemer), já residindo com Percy e a mãe no centro da cidade grande. Vale destacar a boa atuação de Diemer. Ele está muito bem na atuação. Algo que nos pega de surpresa neste começo é a decisão da temporada já apontar o seu lado oposto da trama: o vilão. Outra atuação muito, mas muito boa é a de Bushnell, que interpreta Luke e que está numa atuação muito amadurecida neste segundo ano. Já Annabeth está um pouco chatinha neste ano, uma menina traumatizada e cheia de certas “arrogâncias” que nos tiraram um pouco da trama.
Além de Diemer e Bushnell, quem promete crescer mais é Goodjohn, que dá vida à Clarissa, filha de Ares, o deus da guerra. A transição do primeiro para o segundo ato se desenvolve em dois núcleos narrativos: com Luke, de um lado e Clarissa de outro. Percy, Annabeth e Tyson, vão transitar entre um núcleo e outro. O ponto alto deste núcleo, ou seja, o coração de toda a temporada é a chegada, ou melhor, a revelação do famoso e temido, “Mar de Monstros” e tudo o que ele guarda. É o momento, também que nos é revelado como que Grover caiu neste lugar e por quais motivos.
Toda a cena que engloba o Mar de Monstros serve para nos dizer o óbvio, mas aquele óbvio que tínhamos a necessidade de ver: ele é filho de Poseidon! Percy Jackson é filho de Poseidon! Tudo isso acontece de forma muito direta, imediata com cenas tensas que não se estendem na tela. O grande acerto desta adaptação é que com os episódios durando entre 30 a 40 minutos cada, o público acaba encarando a narrativa com leveza e com aquele sorrisinho sincero no rosto. Dentro deste tempo, a trama consegue incluir novos personagens e dar a eles início, meio e fim. Ou seja, eles entram e saem da história com sentido e relevância. E respeita os personagens que já conhecemos oferecendo a eles novas camadas para que a narrativa nos prepare para o grand finale.
Entre aqueles que defendem um romance entre os protagonistas Percy e Annabeth, e aqueles que preferem que eles se eternizem como verdadeiros amigos – mesmo com os livros assumindo um desses dois caminhos – até para quem nunca leu essas páginas, percebe que esses dois primeiros anos se manteve em corda bamba para decidir que futuro essa relação irá assumir. O que fica claro para nós é que Annabeth ainda continua sendo uma adolescente de pouca demonstração de afetos e possui uma consciência mais racional e menos sentimental. Por outro lado, Percy é um jovem explosivo e sentimental, assumir que não pensaria duas vezes na hora de salvar a amiga é um desses traços de sua personalidade forte.
Esta temporada entrega quase tudo o que prometeu, talvez, por conta dos poucos minutos que a série dedica a cada episódio, o que obriga certa pressa na narrativa, a cena da batalha no acampamento, por exemplo, careceu de mais cenas de luta e mais desenvolvimento. O terceiro ano vai trazer para as telas o terceiro livro da saga, cujo terreno foi prepara pelo segundo ano. A Ameaça do Titã parece elevar um pouco mais o nível de perigo para uma nova missão que está por vir. Como afirmamos, parece que cada volume desta saga segue o mesmo roteiro, com aventuras novas, perigos novos, personagens novos... Toby Stephens, que dá vida ao deus Poseidon, é quase uma entidade que sobrevoa em nossos inconscientes. Seus poucos segundos de tela em cada temporada é um colírio para nossos olhos. É “absolut cinema!”.
Por Dione Afonso | Jornalista