20 Mar
20Mar

Não encantando muitos, na verdade, os primeiros minutos de Paradise são difíceis de nos convencer. Curiosamente, toda a primeira temporada é bastante introdutória e se ancora no famoso recurso narrativo do whodunnit, “quem matou?”. É preciso acionar a nossa suspensão da descrença para “comprar” a ideia da série, que extrapola os limites da ciência e da biologia para abordar um tema que não é muito palatável. Falar do nosso futuro, do futuro do planeta e do futuro da humanidade é sim um tema curioso, contudo, já estamos um pouco estafos de narrativas que abordam este assunto de forma catastrófica e que parece fugir do que pode ser real ou não. 

Criada por Dan Fogelman, Paradise precisa lidar com os exageros arquitetônicos ao “proteger” toda uma cidade debaixo da terra quando o planeta todo se viu ameaçado por um grande tsumani quando as geleiras descongelaram de uma única vez. O famoso Dream American, que consiste num conjunto de ideias que vão se consolidando no passar das gerações, é o pano de fundo da série. O “sonho americano”, de fato, parece ser excludente e ter seus privilegiados. Na série, o protagonismo fica a cargo de Sterling K. Brown, segurança pessoal do presidente dos EUA que é interpretado por James Marsden. O elenco ainda conta com Julianne Nicholson; Sarah Shahi; Percy Daggs IV; Enuka Okuma e mais. 


Uma ficção americana malfeita 

Por mais que a série tem sido motivo de boas críticas e de comentários positivos, como afirmamos, se não houver certa suspensão de descrença será difícil engatar na proposta a que ela está disposta a defender. Vivendo debaixo da terra, numa estrutura arquitetônica impensável de ser construída, toda uma cidade segue a vida dentro das possíveis normalidades, com um sistema de segurança, com um presidente, ruas, praças, cronometragem do dia e da noite, tudo perfeito, até que um assassinato acontece. Sendo impossível a entrada ou a saída de alguém desta fortaleza, o alvo se vira para dentro, e é neste momento que o segurança Xavier Collins (Brown) entre em cena e nos guia nos oito episódios desta primeira temporada. 

Sabendo que a investigação inconcluída tenta esconder o que, de fato ocorreu, Collins começa a sua própria investigação e começa a descobrir que tudo o que a Sinatra (Nicholson) construiu pode não ter sido feito de uma maneira tão ética como todos acreditam. Lembram do sonho americano? Pois bem! Quando dissemos que uma cidade inteira foi “salva” por este projeto, é de se desconfiar que nem todos tiveram seu lugar reservado. Houve uma seleção de pessoas, famílias, aqueles que deveriam realmente terem seu lugar nesta nova cidade, protegida, debaixo da terra. 

A morte do presidente (Marsden) é apenas um aperitivo para que a narrativa possa acontecer. Infelizmente não há grandes novidades na forma que a narrativa é construída nestes primeiros oito episódios. Os flashbacks também são confusos, quando não se é possível identificar o que é passado – acima da terra – e o que é presente – fortaleza, debaixo da terra. E num certo ponto isso é positivo, dado a perfeição que a cidade construída nos apresenta. De certa forma, a primeira temporada pega um ritmo mais veloz e corajoso nos minutos finais da trama, no último episódio, a fim de deixar um gancho forte o bastante para que a nova temporada possa funcionar, mesmo que esta não tenha tido um sucesso tão relevante assim. Agora, é esperar o que virá...



Por Dione Afonso  |  Jornalista

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