Você já deve ter se perguntado por que Jennifez Lopez sempre está nos holofotes das telas. É difícil não ver uma obra em que ela atua, sendo protagonista ou não a cada ano – as vezes, a cada seis meses. Parte deste intenso trabalho dá-se por conta de seu contrato de exclusividade que a artista assinou com a Netflix que a coloca em produções da plataforma. Filmes, séries, documentários e até em realitys shows, o que a empresa joga na mesa dela, ela acata com certas liberdades até mesmo como produtora. O resultado desta parceria tem rendido bons trabalhos, entre eles destacamos o ótimo A Mãe de 2023. Na obra, JLo atuou ao lado de Joseph Fiennes e de Gael Garcia Bernal. Além disso, o contrato não a proíbe em trabalhar em obras fora da plataforma, e como resultado tivemos o reboot O Beijo da Mulher Aranha, de 2025 que foi dirigido e escrito por Bill Condon.
Em Paixão de Escritório, JLo dá vida a uma empresária. Jackie Cruz é CEO e presidente da Air Cruz e administra com “mão de ferro”, por conta de seu antecessor, o pai e fundador Capitão Jack Cruz (Edward James Olmos). Ao lado de Lopez, Brett Goldstein dá vida ao interesse romântico de Cruz, o advogado Daniel Blanchflower, que co-assina o roteiro. No elenco, Betty Gilpin, Mary Wiseman, Tony Plana e muito mais complementam a obra. Sob a regra de ouro, “prazer e trabalho não se misturam” Cruz e Blanchflower vivem uma tensão bastante comprometedora, a ponto de a empresa Air Cruz ter uma clausura contratual indicando que se dois colegas de trabalho se envolveram, a penalidade é o desligamento do trabalho, sem justa causa.
Por algum momento de todo o filme é inevitável percebemos que Goldstein tem ali um papel que acaba chamando mais a atenção do que o de Lopez. JLo já está nesta jornada há bastante tempo e tem atuado desde a longas que retratam os dilemas da IA, como em Atlas (Brad Peyton, 2024) até a histórias cheias de ação como A Mãe. Isso, mencionando o Halftime, documentário sobre sua carreira, abordando temas como a pressão dos holofotes e da empresa cinematográfica. Mas, Brett Goldstein também não fica para trás. É comum que a nova geração se lembre dele por conta do grande sucesso Ted Lasso, pela Apple TV, mas sua filmografia também é respeitosa e vai desde a trabalhos que abordem comédia, filmes de animação, romance e dramas como Soulmates, Derek e Garfield.
Goldstein é um bom ator. Ótimo profissional e de um bom-gosto para a TV. JLo é esforçada na atuação. Tem talento, carisma, contudo, ela sempre corre o risco de se “apagar” ao lado de algum outro artista que tenha uma carreira mais “aplicada” e “ensaiada”. Quando assistimos Paixão de Escritório isso fica em evidência, mas não compromete a experiência positiva de quem decide dar play e assistir. É um filme família, que pode ser visto por amigos, pais, filhos, com um perfeito balde de pipoca. De um lado temos um homem bem afeiçoado, talentoso e de outro uma artista completa, uma mulher poderosa, atraente e de bom gosto. É um par perfeito para viver seus fetiches, loucuras de amor, suas paixões desmedidas e as aventuras em nome de um verdadeiro amor.
Vale a pena assistir! É uma boa aventura muito bem distribuída em quase duas horas de puro amor verdadeiro que decide extrapolar os limites empresariais e revidar contra uma clausura contratual que põe em risco o futuro de suas vidas profissionais. A linha entre destruir tudo o que se construiu para reconstruir algo mais profundo, sincero e apaixonante. Convide amigos, família e aumente os lugares na sala. Jennifer Lopez, no auge dos seus 56 anos parece estar numa fase primorosa, cheia de vida e glamourosa. Ainda é um presente para nós poder acompanhar o seu talento diante das telas.
Por Dione Afonso | Jornalista.