04 Mar
04Mar

Novo derivado da original Game of ThronesGoT – acaba de chegar refrescando a franquia criada por George R. R. Martin. Prometendo nos entregar uma experiência completamente diferente do que sabemos sobre a saga, o início desta jornada nos ofereceu uma surpresa positiva. NADA DE DRAGÕES; 0 RELAÇÕES INCESTUOSAS; mas, com uma fotografia espetacular e bons protagonistas. Nunca imaginaríamos que GoT seria capaz de nos entregar uma história bastante cômica, fazendo da comédia clássica o gênero capaz de nos entreter numa jornada épica. Voltando a Westeros, embarcamos numa jornada intimista e pessoal, mas capaz de expandir a saga para ares novos e criativos. 

A nova história segue Sir Duncan (Peter Claffey), um recente cavaleiro que empreende uma viagem em busca de respeito, prestígio e reconhecimento entre os cavaleiros dos reinos. A seu lado caminha o pequeno Aegon “Egg” Targaryan (Dexter Sol Ansell) que inicia a jornada mantendo alguns mistérios até serem revelados da forma mais surpreendente. Um descortinar que abrilhanta ainda mais a produção de Ira Parker, que assina a obra ao lado do próprio autor. No elenco ainda temos Finn Bennett; Henry Ashton; Bertie Carvel e Sam Spruell da Casa Targaryen. Além de Tanzyn Crawford; Daniel Ings; Daniel Monks e Danny Webb. 


O Cavaleiro e seu escudeiro 

A comédia torna-se o ponto alto desta primeira temporada e, se antes nós tínhamos dado a chance em assistir, agora ela conquistou nossa atenção. A jornada do cavaleiro custa engatar, mas isso não se torna uma negativa à história num todo. Os protagonistas Claffey e Ansell precisam resolver a problemática central da temporada que é participar do torneio. Fica evidente que esta disputa serve para vangloriar a masculinidade e garantir que o homem é viril e poderoso e que, de certa forma, perpetua por toda a temporada. Temos diante de nós um entretenimento leve dentro de uma franquia famosa por cenas épicas e histórias carregadas. 

Ao atingir a virada da narrativa, a temporada atinge seu ponto alto. Com sua identidade verdadeira revelada, Egg, ou melhor, Príncipe Aegon Targaryen, precisa lidar com a traição que feriu seu amigo Sir Duncan que se envolve numa enrascada e fere o Príncipe Aerion Targaryen (Bennett). O segundo ato precisa lidar com as consequências e tudo indica que teremos uma boa explicação para o título da série. “Quem será o cavaleiro dos Sete Reinos?” Defender Tanselle (Crawford) da crueldade de Aerion faz com que Sir Duncan caia numa emboscada que não esperava. Movido pelo seu senso de justiça que age a favor de quem está em perigo. O humor sátiro permanece mesmo em contexto de batalha. Depois de descoberto, Egg também precisa reconquistar seu amigo e a própria lealdade e confiança. 

“Ele ficou do lado da justiça! Não é este o papel de todo cavaleiro?” Lançado o “Desafio dos 7”, a série atinge seu ponto alto da narrativa. É hora de Duncan mostrar a que veio e qual sua relevância para toda a Westeros. Sua lealdade e seu senso de justiça conquistam os de coração mais nobre da Casa Targaryen e faz com que o próprio sangue lute contra os seus, defendendo a moral de Sir Duncan. O Cavaleir precisa enfrentar Aerion, irmão de Aegon “Egg”. O príncipe humilha e despreza uma jovem, Tanselle, e Sir Duncan sai em defesa da garota. Aerion convoca o desafio dos 7, onde cada um precisa encontrar 7 cavaleiros para lutar a seu favor. Sir Duncan é surpreendido quando, no final, o próprio Baelor Targaryen (Carvel) assume o lado de Duncan, ficando contra o próprio sangue. 


Sem escudo, mas com honra 

Sir Dundan, criado por Sor Arlan, que faleceu de forma rápida e sem precedentes, deixa ao pobre Duncan um sonho e seus conhecimentos de uma vida simples e sem maldades. Sir Duncan é alguém que não pensa maldades, não tem um coração traiçoeiro, mas que sabe lutar do lado certo da história. É inocente, mas possui inteligência ímpar. Ao assumir treinar Egg, a pedido do pai, a próxima temporada poderá nos revelar que ambos terão múltiplos conhecimentos sobre a vida, as relações e sobre o que mais importa na história. Duncan, o Alto agora com um escudo, espada e uma batalha para vencer, precisa enfrentar a justiça e derrubar um grande nome da Casa Targaryen e vencer. A derrota, segundo a tradição, deste embate é a morte do oponente. O que será que os capítulos seguintes nos reservam? 

Sir Duncan é um “cavaleiro andante” de bom coração, que precisará usar essa sua qualidade para vencer, tanto na vida, quanto no campo. A jornada chega ao fim. E a produção desta série surpreendeu a todos com uma história básica e simples, mas grandiosa por sua simplicidade. Agora, Sir Duncan que sobrevive ao teste dos 7 inicia sua jornada ao lado de seu escudeiro, Egg/Aegon. Claro, o príncipe da Casa Targaryen foge mais uma vez da aba de seu pai e decide cavalgar ao lado de seu cavaleiro. Uma imagem final da série, apresenta algo semiótico, simbólico, “absolute cinema”. Ver esses três personagens: um que já se foi, mas que tem seu legado honrado; os outros dois que se destacam por seus tamanhos físicos, mas que o que conta mesmo é o que cada um carrega no coração. Não é tanto o tamanho que vale, mas a grandiosidade interna.




Por Dione Afonso  |  Jornalista

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