A quarta parte que segue as peripécias de Arsene Lupin, personagem clássico das obras do francês Maurice LeBlanc, busca inovar ao focar mais nos dilemas familiares que nos clássicos roubos que movimentam todo um país. Um dado curioso é a série abordar uma obra que não é assinada por LeBlanc, mas que dá escopo necessário para prender a nossa curiosidade para encarar a nova leva de episódios. “A Justiça de Arsene Lupin” – do original La Justice d’Arsène Lupin – é assinado por Boileau-Narcejac, um pseudônimo da dupla de escritores franceses Pierre Boileau e Thomas Narcejac. Os autores se aproveitaram da fama de O Ladrão de Casaca e resolveram trazer uma espécie de fanfic, apresentando um Lupin mais velho, aposentado e envolvido numa trama para ajudar uma dama em perigo.
Na nova temporada, Omar Sy é um Lupin disposto a encerrar sua carreira de ladrão e, preso, quer cumprir a pena pelos seus crimes. Do lado de fora da prisão, a França precisa lidar com um imitador. Retornam para a temporada Ludivine Sagnier; Antoine Gouy; Soufiane Guerrab e Hervé Pierre. Nas novas adições tempos Laïka Blanc-Francard que dará vida à Adèle Kapoor, a imitadora dos roubos de Lupin. Théo Christine é Raoul Diop e Clotilde Hesme é Juliette Pellegrini. Na nova temporada, Kapoor chega à França e começa a imitar os roubos de Assane Diop com a intenção de trazê-lo de volta para um novo jogo de roubos em busca do famoso “tesouro secreto da França”.
1ª temporada: “LUPIN”: entre La Casa de Papel e Sherlock Holmes clássico literário encanta com elegância e estilo de Robin Hood
2ª temporada: “LUPIN” entrega segunda parte incrível e intensa com perfeito toque de humor
3ª temporada: “LUPIN” não procura se reinventar no terceiro ano, mas faz de sua publicidade o estopim para provocar todo um país
Por mais que tenha enfraquecido um pouco a dinâmica e a tensão a respeito das temporadas anteriores, é interessante o fato de a série decidir investir nos núcleos familiares. Com Assane Diop na prisão, seu melhor amigo Benjamin Férel (Gouy) acaba se envolvendo com Claire Laurent (Sagnier), ex-companheira de Assane. Nesse meio temos um Raoul com o orgulho ferido, e meio que deixado de escanteio. Um filho jovem de 20 anos que precisa de uma presença adulta e paterna do lado, mas que acaba não encontrando apoio necessário para guiá-lo em suas escolhas. Assane não consegue lidar, com equilíbrio, este dilema, pois enquanto tem um filho perdido e carente de atenção, por outro lado ele tem uma impostora tentando incriminá-lo e o ameaçando.
Essa é uma balança não muito fácil de se equilibrar durante toda a temporada. Inclusive quando não temos boas atuações, como é o caso de Blanc-Francard, que acaba não consolidando uma boa antagonista. Os oito episódios também sofrem com a rapidez com que os fatos precisem acontecer. Tudo é muito rápido e o público acaba não tendo muito tempo para dissolver o que acontece em cada cena. O famoso tesouro secreto da França é uma linha condutora que vem sendo construída deste a primeira temporada, contudo, ela não é tão relevante assim, o que é um ponto positivo, pois cada temporada funciona perfeitamente de maneira isolada. Explorar esta história francesa é muito positivo. O tesouro que guarda as joias da Coroa da Realeza e – segundo a série – muito mais que isso é um prato cheio para as nossas teorias, para as narrativas de ficção e para as histórias conspiradoras.
Por fim, a série, neste quarto ano, resolveu fazer algo que ela não havia feito com relevância nos anos anteriores: deixar um gancho significativo para a próxima temporada. Deparamo-nos com um final em que Arsene Lupin perde, Assane Diop é ferido, Raoul Diop se alia ao inimigo Pellegrini, torna-se fugitivo da polícia, Adele Kapoor é filha de Diop com Juliette Pellegrini e a polícia se encontra em maus lençóis ao descobrirem que há membros corruptos das famílias protetoras do tesouro dentro da repartição pública. São muitos detalhes para serem resolvidos numa próxima temporada. E nós teremos que aguardar o que irá acontecer.
Por Dione Afonso | jornalista.