23 Apr
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Em meio às ruas de Turim, no século XIX, uma mulher decidiu desafiar as regras de uma sociedade que insistia em limitar seu lugar ao espaço doméstico, longe dos tribunais. Em As Leis de Lidia Poët, os criadores Guido Luculano e Davide Orsini narram a trajetória de coragem, determinação e luta por justiça da primeira mulher a tentar exercer a advocacia na Itália. Mesmo diante de tentativas de silenciamento, Lídia prova que inteligência e força não têm gênero.

A série de drama da Netflix foi lançada em 2023 e conta com 3 temporadas. Matilda De Angelis é a protagonista, que interpreta Lidia Poët. Ao lado dela, Eduardo Scarpetta; Gianmarco Saurino; Pier Luigi Pasino; Sinead Thornhill; Daria Aita e mais fortalecem o elenco. A produção é italiana e conta com a fidelidade histórica do país. Uma curiosidade da série é que as três temporadas mantiveram o mesmo elenco e mesma produção criativa, o que resultou numa uniformidade narrativa muito positiva.


Até onde a ousadia feminina pode ir?

Na primeira temporada, após ser oficialmente proibida de advogar, Lidia Poët (Angelis) passa a trabalhar como assistente no escritório de seu irmão, Enrico, (Pasino). Paralelamente, ela investiga casos de assassinato por conta própria, reunindo provas de maneira considerada questionável pela justiça, com o objetivo de provar a inocência de seus clientes, sempre com um olhar crítico e sensível às injustiças sociais.

Na segunda temporada, a protagonista intensifica sua batalha contra o sistema para ser reconhecida como advogada. Ao mesmo tempo, vê-se envolvida no misterioso assassinato do jornalista Attila Brusaferro (Jacopo Brusaferro), encontrado morto com dois bilhetes enigmáticos no bolso: um destinado a ela e outro a Jacopo Barberis (Scarpetta).

Já na terceira e última temporada, lançada em 15 de abril, a trama ganha um tom ainda mais pessoal e socialmente relevante. O foco recai sobre o julgamento de Grazia Fontana (Liliana Bottone), amiga próxima de Lidia. Grazia foi acusada de matar o marido abusivo, trazendo à tona discussões sobre a violência contra a mulher. Paralelamente, ela enfrenta o procurador Fourneau (Saurino) em um embate decisivo que vai além do confronto jurídico: trata-se de uma disputa entre visões opostas de justiça. Enquanto ele representa a rigidez e o conservadorismo da Lei, Lidia encarna uma perspectiva mais humana, questionadora e progressista.

Lídia Poët, a personagem, chega ao desfecho de sua trajetória como um símbolo de resistência e transformação. A temporada final não apenas amarra os conflitos narrativos, como também reforça a importância de sua luta em um contexto histórico que ecoa até os dias atuais.



Texto de: Ana Maria Muniz  | @ana_maria020209 

Estagiária de Jornalismo pela PUC Minas

23 de abril 2026.

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