Artista brasileira, Bruna Marquezine, nascida Bruna Reis Maia iniciou sua carreira aos cinco anos de idade, quando foi convidada a integrar o elenco da novela Mulheres Apaixonadas, de Manoel Carlos. O escritor teve conhecimento do jovem talento ao assistir Bruna num comercial da PM de São Paulo sobre prevenção ao suicídio. A postura dela frente à câmera chamou a atenção e abriu portas para o mundo da atuação. No mesmo ano, Bruna também participou ao lado da apresentadora Xuxa Meneghel do filme Xuxa Abracadabra. Em 2005, aos 10 anos de idade, Bruna Marquezine fez o que pode ser um dos papeis mais importantes de sua carreira: Gloria Perez escreveu América, e Bruna deu vida a Maria Flor, uma adolescente que tinha deficiência visual. A visibilidade à comunidade com limitações da visão foi muito bem-quista após a abordagem da novela. Bruna Marquezine, desde então nunca parou.
Em 2019, aos 24 anos, Bruna Marquezine iniciou sua carreira no cinema com Vou Nadar Até Você, do brasileiro Klaus Mitteldorf. Entre um papel limitado e outro o talento da atriz chamou a atenção da indústria hollywoodiana o que a fez entrar para o elenco do filme Besouro Azul, do Universo da DC Comics. Agora, a atriz, e também produtora e co-diretora está de volta ao seu mais novo sucesso que é a série da Disney, Amor da Minha Vida. Ao seu lado, Sérgio Malheiros também atua como protagonista e a nova temporada conta com novos nomes: Rômulo Estrela; Clarice Falcão; Alanis Guillen; Maria Ribeiro; Daniel Dantas; Gabriel Godoy e Gleice Damasceno. Além de Marquezine e Malheiros, Sophia Abrahão; Danilo Mesquita; Rayssa Bratillieri e Cissa Guimarães também reprisam seus papeis.
A atuação da Bruna Marquezine, sua postura frente às câmeras é algo hipnotizador. Ela consegue captar a essência da personagem que irá interpretar e ela dá vida, caráter, enredo e tudo o mais que a personalidade de Bia precisa para que o público se convença de que tudo o que está acontecendo ali é real, honesto e verdadeiro. A série, em sua primeira temporada nos apresentou a vida de dois grandes amigos, Bia e Victor – carinhosamente apelidados por eles mesmos de “Fausto” e “Silvio”. Uma amizade muito verdadeira e embasada em relações sinceras de fraternidade e de muito respeito entre eles. A relação começa a desandar quando esse mesmo respeito cruza uma linha-limite que a maioria das amizades deturpam ou desconsideram em suas vidas: a linha da paixão, do amor e da intimidade. O que Bia e Victor vivem na primeira temporada é a prova de que em toda relação, seja ela qual for, há certos limites que ambas as partes precisam respeitar.
Obedecendo à cronologia consolidada, a segunda temporada inicia sua jornada com Bia e Victor dividindo o mesmo teto, vivendo uma relação a dois, apaixonados, dividindo a mesma cama e tentando compartilhar seus projetos pessoais e seus sonhos. Obviamente que em algum momento a coisa vai desandar de novo, pois, como afirmamos, há certos limites que deveriam ser respeitados. Bia sofre mais um fracasso em seu trabalho e não consegue se consolidar como uma roteirista. Ela vive sofrendo uma sequência de azares em seu trabalho e não consegue lidar com isso. Por outro lado, o sucesso de Victor é notório, porém, ele não sabe o que fazer com tudo o que está conquistando, inclusive, com o seu dinheiro.
Acrescenta-se a esta jornada as novas personagens que vão dando arcabouço necessário para a trama. Enquanto Rômulo Estrela dá vida a uma celebridade da música sertaneja cancelada por misoginia e outros escândalos, Maria Ribeiro é uma diretora de casting numa produtora que se apropria do trabalho de Bia e Alanis Guillen é uma diretora de comercial que tenta ser uma luz no fim do túnel para Bia. O brilho e a relevância da dupla de protagonistas não se perdem diante das novas personalidades. Roteiro bom é assim: nada se perde, ninguém perde seu foco na narrativa ao mesmo tempo em que as novas adições também encontram seu lugar. A nova amizade na vida de Victor, vivida por Gleice Damasceno também serve de grande trampolim para o personagem de Malheiros ao mesmo tempo que ela também tem sua narrativa e muito bem desenvolvida.
No fim das contas, a segunda temporada tenta nos apresentar jovens que sofrem na transição para a vida adulta. Bia é a jovem mulher que não consegue se dar bem no mercado de trabalho. Uma roteirista brilhante, sensível com as histórias que escreve, mas que confia em pessoas erradas e acaba sendo vítima de plágios. Na vida pessoal, ela enfrenta os desafios da falta de confiança e de não conseguir se firmar com alguém. Depois de dar fim ao relacionamento com Victor, parece que até mesmo a amizade fica em segundo plano. Bia assume o fracasso, entra em desespero, se fecha em suas dores e acaba tornando-se mais uma vez aquele “quase tudo perfeito” que nunca acontece. Seu último golpe de desespero é um relacionamento aberto e bissexual que a coloca ainda mais inconstante e perdida.
Por outro lado, a falta de sentido na vida de Victor parece dar um golpe ainda maior e mais desesperador do que Bia. Aparentemente parece que ele não sofre tanto, contudo, a dor que esconde, quando explode revela ainda mais fundo o poço em que ele cai. Primeiro vem sua amizade com uma dentista, casada e que vivem de encontros em pontes aéreas para lá e para cá. Uma amizade que possui segundas, terceiras e quartas intenções, mas que não assume um eixo em toda essa história. Depois vem sua amiga que vira sócia em novo empreendimento, mas um lance que também não se assume. Por fim, eis o fundo do poço: passar uma borracha em todo o seu passado. Apagar tudo, literalmente tudo, inclusive suas antigas amizades e assumir, não um capítulo novo, mas um novo livro. A temporada encerra com ele ao lado de sua ex...
A nova temporada de oito episódios está mais amadurecida. As inseguranças dos protagonistas são abordadas sem medo e a série consegue lidar com dilemas íntimos. Lidar os sonhos pessoais e a carreira profissional é sempre uma balança difícil de equilibrar. Temos menos drama e mais diálogos e Amor da Minha Vida deixa de ser uma simples série romântica e passa a ser uma série de drama que lida com as situações cotidianas com seus percursos, buracos e os tombos que a vida nos dá. Criada por Matheus Souza, toda a narrativa concentra-se no tema do amadurecimento e no que dá felicidade à nossa existência. A jornada do melhor sonho de padaria ganha seu desfecho e passa a significar uma história mais avassaladora ainda.
Por Dione Afonso, jornalista.